O aumento no preço do querosene de aviação (QAV), anunciado pela Petrobras em 1 de abril, deve pressionar diretamente os custos do setor aéreo e pode resultar em alta de até 20% nas passagens, segundo estimativas de especialistas. O reajuste médio superior a 50% no combustível, que já representa cerca de 45% das despesas operacionais das companhias, altera de forma significativa a estrutura de custos e tende a impactar o valor final pago pelos consumidores, embora o repasse dependa de estratégias comerciais e do nível de ocupação dos voos.
A elevação do QAV ocorre em decorrência da valorização do petróleo no mercado internacional, influenciado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio. Com isso, o custo por passageiro transportado por quilômetro tende a subir em proporção semelhante, o que pode levar empresas a reverem rotas, reduzirem frequências ou até descontinuarem voos menos rentáveis. Especialistas apontam que a demanda reage de forma sensível ao preço: aumentos nas tarifas podem provocar retração proporcional na procura, com impacto mais acentuado em viagens de lazer do que em deslocamentos corporativos.
Em contrapartida, o governo federal avalia medidas para conter os efeitos sobre o setor, incluindo redução temporária de tributos, ajustes em encargos financeiros e incentivos operacionais. A Petrobras também anunciou um mecanismo de parcelamento para suavizar o impacto imediato do reajuste às distribuidoras. Ainda assim, entidades do setor alertam para possíveis restrições na oferta de voos e na expansão da malha aérea, enquanto a equipe econômica mantém monitoramento contínuo das condições externas antes de definir eventuais intervenções.


