Nossos melhores e piores comportamentos são emocionais. Acredito que você já tomou a pior decisão da sua vida movido pela tristeza, pela raiva ou pela ansiedade e o motor disso tudo, a área do seu cérebro responsável por isso, é a sua amígdala. E sim, é uma amígdala diferente daquela da sua garganta.
Ela faz parte do sistema límbico, uma estrutura que compõe a segunda camada proposta por Robert Sapolsky. Também pode ser considerada “mais nova”, já que surgiu ao longo da evolução nos mamíferos. Assim como o córtex pré-frontal, ela utiliza muita energia. Por isso, em momentos em que você fica muito ansioso ou com as emoções à flor da pele, é comum sentir cansaço. Afinal, além de ter que controlar esse caos com o córtex pré-frontal, é a própria amígdala que, muitas vezes, inicia esse caos.
Curiosamente, a amígdala está associada à agressividade, sendo observadas mudanças significativas de comportamento quando alguém sofre lesões nessa área do cérebro. No entanto, sua principal função é a percepção do medo e de ameaças. Inclusive, em casos de transtorno de estresse pós-traumático (TEPT), essa região pode ficar hiperestimulada e até aumentar de tamanho. Sobre a agressividade, vale ressaltar que, mesmo em psicopatas nos quais a amígdala tende a ser menor e menos ativa , a violência pode ocorrer, mas por vias diferentes, não necessariamente ligadas ao medo.
Ela também possui um caminho neural que é o “pulo do gato” para entendermos sua ação no organismo: conecta-se ao tálamo, que é o centro de distribuição sensorial. Em condições normais, o tálamo enviaria as informações para o córtex pré-frontal, mas, com esse atalho para a amígdala, é ela quem passa a processar essas informações primeiro. É por isso que cheiros, imagens e até sons podem gerar ansiedade imediata. Além disso, a amígdala também se conecta às áreas responsáveis pela memória, o que faz com que você registre essas experiências e é assim que o trauma pode se formar.
Mas há uma boa notícia: ela também se conecta à sua parte racional e, muitas vezes, o córtex pré-frontal consegue frear as ações da amígdala. Porém, quando há uma percepção intensa de perigo não necessariamente um perigo real , a amígdala pode “sequestrar” o córtex pré-frontal, reduzindo significativamente a sua atividade.
Sobre o autor:
Hanrry Luís é psicólogo clínico, especialista em transtornos ansiosos e alimentares, com 4 anos de experiência clínica. Atua na prática baseada em evidências, integrando conhecimento científico ao raciocínio clínico e à experiência prática.


