Rio Branco, AC, 26 de setembro de 2026 10:00

Aromas sintéticos podem atrair morcegos e ajudar na recuperação de áreas degradadas; aponta pesquisa da Embrapa

Estudo mostra que substâncias produzidas artificialmente têm efeito semelhante ao de óleos essenciais usados para atrair morcegos dispersores de sementes.

Pesquisadores da Embrapa Florestas, do Instituto Federal do Paraná (IFPR) e da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) identificaram que compostos aromáticos sintéticos podem ser usados para atrair morcegos frugívoros para áreas em processo de recuperação. A estratégia aproveita o olfato dos animais para estimular sua permanência nesses locais e, consequentemente, aumentar a dispersão de sementes. Os testes envolveram morcegos dos gêneros Artibeus, Carollia e Sturnira, conhecidos por se alimentarem de frutos.

A pesquisa começou com óleos essenciais extraídos de frutos de figueiras, jaborandis e tomates silvestres, que já demonstravam capacidade de atrair os animais. Nos últimos anos, os cientistas passaram a separar os componentes dessas essências e testar substâncias sintéticas disponíveis comercialmente. Os resultados mostraram que alguns desses compostos conseguem provocar uma atração semelhante à dos óleos naturais quando utilizados em pequenas quantidades. Além de facilitar a aplicação, a alternativa reduz a necessidade de coletar grandes quantidades de frutos para produzir os óleos, já que o rendimento da extração é baixo.

A aplicação é feita com pequenos septos de borracha de látex, que absorvem o composto e liberam o aroma gradualmente no ambiente. Nos experimentos, o dispositivo manteve a emissão por cerca de 20 a 25 dias. A expectativa dos pesquisadores é utilizar a técnica como complemento ao reflorestamento tradicional, fazendo com que os morcegos levem ao solo sementes de espécies encontradas em áreas de vegetação próximas. Apesar do potencial para tornar a restauração mais simples e barata, novos estudos ainda serão necessários para estabelecer a quantidade adequada dos compostos, a forma de aplicação e os efeitos da técnica sobre a recuperação dos ecossistemas.

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