Rio Branco, AC, 31 de julho de 2026 10:36

Caixa começa a distribuir R$ 13 bilhões de lucro do FGTS a 138,2 milhões de trabalhadores

Cerca de 138,2 milhões de trabalhadores começaram a receber, desde quinta-feira (30), a distribuição de lucros do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) referente ao ano de 2025. O dinheiro está sendo creditado diretamente nas contas vinculadas ao fundo pela Caixa Econômica Federal.

Ao todo, serão distribuídos R$ 13,04 bilhões, valor correspondente a 89% do lucro obtido pelo FGTS em 2025. O fundo registrou lucro de R$ 14,7 bilhões no ano passado, o segundo maior resultado da série histórica iniciada em 2015.

Os valores já podem ser consultados pelos trabalhadores no aplicativo FGTS e passam a integrar o saldo das contas. O crédito, no entanto, não significa que o dinheiro possa ser sacado imediatamente, já que continuam valendo as regras previstas em lei para a retirada dos recursos.

Têm direito à distribuição todos os trabalhadores que possuíam saldo em alguma conta do FGTS em 31 de dezembro de 2025, independentemente de a conta estar ativa ou inativa. O dinheiro é depositado automaticamente na conta vinculada do fundo e não é transferido para a conta-corrente ou poupança do trabalhador.

Quanto cada trabalhador recebe

O valor recebido varia de acordo com o saldo existente na conta do FGTS em 31 de dezembro de 2025. Para calcular o crédito, basta multiplicar o saldo daquela data pelo índice de 0,01868341.

Na prática, quem tinha R$ 1 mil no FGTS receberá aproximadamente R$ 18,68. Para um saldo de R$ 5 mil, o crédito será de cerca de R$ 93,42, enquanto quem possuía R$ 10 mil receberá aproximadamente R$ 186,83. A cada R$ 100 de saldo, o trabalhador receberá cerca de R$ 1,87.

Como consultar o valor

O crédito pode ser consultado pelo aplicativo FGTS, disponível para celulares Android e iOS. Correntistas da Caixa também podem verificar o lançamento pelo Internet Banking ou procurar uma agência do banco para emitir o extrato.

No aplicativo, o trabalhador deve fazer login com CPF e senha, selecionar a conta desejada, acessar o extrato e procurar pelo lançamento com a descrição “AC CRED DIST RESULTADO ANO BASE 12/2025”.

Rentabilidade ficou acima da inflação

Com a distribuição dos lucros, a rentabilidade total das contas do FGTS em 2025 chegou a 6,9%. O resultado considera o rendimento anual de 3% previsto em lei, a Taxa Referencial (TR) e a parcela do lucro distribuída aos trabalhadores.

O rendimento ficou acima da inflação oficial medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que encerrou 2025 em 4,26%. Dessa forma, o FGTS proporcionou um ganho real de aproximadamente 2,6 pontos percentuais acima da inflação.

Quando o dinheiro pode ser sacado

Apesar de o lucro já ter sido incorporado ao saldo das contas, o trabalhador não pode sacar o valor livremente. Os recursos permanecem no FGTS e só podem ser retirados nas situações previstas na legislação.

Entre as hipóteses estão demissão sem justa causa, saque-aniversário, aposentadoria, compra da casa própria, amortização ou quitação de financiamento habitacional, doenças graves previstas em lei, calamidade pública reconhecida, trabalhador com mais de 70 anos e falecimento do titular, neste último caso com possibilidade de saque pelos dependentes.

Distribuição dos lucros

A distribuição de parte dos resultados do FGTS aos trabalhadores é autorizada pelo Conselho Curador do FGTS desde 2017. Ao longo dos anos, os percentuais distribuídos variaram conforme o resultado de cada exercício.

Em 2016, foram distribuídos R$ 7,3 bilhões, equivalentes a 50% do lucro. Em 2017, foram R$ 6,2 bilhões (50%); em 2018, R$ 12,2 bilhões (100%); em 2019, R$ 7,5 bilhões (66%); e, em 2020, R$ 8,1 bilhões (96%).

Em 2021, a distribuição chegou a R$ 13,2 bilhões, correspondentes a 99% do lucro. Em 2022, foram R$ 12,7 bilhões (99%); em 2023, R$ 15,2 bilhões (65%); em 2024, R$ 12,9 bilhões (95%); e, agora, em 2025, R$ 13,04 bilhões, correspondentes a 89% do resultado.

O que é o FGTS

Criado em 1966, o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço funciona como uma reserva financeira destinada a proteger o trabalhador em situações previstas em lei, como demissão sem justa causa, aposentadoria e doenças graves.

Todos os meses, os empregadores depositam o equivalente a 8% do salário dos trabalhadores com carteira assinada em uma conta vinculada ao FGTS.

Além de funcionar como proteção financeira para os trabalhadores, os recursos do fundo também são utilizados para financiar programas de habitação, saneamento básico, infraestrutura urbana e operações de crédito, contribuindo para investimentos e geração de empregos no país.

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