O ex-secretário estadual de Saúde, José Bestene, deve voltar ao comando da pasta ainda em 2026, em meio a articulações políticas e discussões dentro da base governista. O possível retorno reacende o debate sobre sua atuação anterior, considerada por aliados como decisiva em um dos períodos mais desafiadores da saúde pública no Acre.
Bestene já esteve à frente da Secretaria de Saúde entre 1995 e 1998, durante a gestão do então governador Orleir Cameli. Naquele período, segundo registros históricos, o sistema enfrentava sérias dificuldades estruturais, com unidades sucateadas, escassez de insumos e problemas sanitários graves.
Um dos principais símbolos da crise era o Hospital de Urgência e Emergência de Rio Branco (HUERB), que operava em condições precárias. A gestão de Bestene ficou marcada por uma série de medidas emergenciais voltadas à recuperação da rede, incluindo a ampliação da capacidade cirúrgica da unidade e a contratação de profissionais de saúde.
Entre as ações mais lembradas está a iniciativa de aquisição internacional de medicamentos, considerada inovadora à época. A estratégia permitiu reduzir custos e recompor os estoques da rede pública, garantindo atendimento em um momento crítico.
Outro marco de sua passagem pela pasta foi a criação de alternativas para ampliar o acesso à saúde em regiões isoladas. Nesse contexto, ganhou destaque a implantação do Navio de Assistência Hospitalar Doutor Montenegro, voltado ao atendimento de comunidades ribeirinhas no interior do estado. A estrutura fluvial levou serviços médicos e exames a populações com difícil acesso terrestre, consolidando um modelo adaptado à realidade amazônica.
Com a possibilidade de retorno ao comando da Saúde, a expectativa é de que Bestene enfrente novos desafios, agora em um cenário diferente, mas ainda marcado por demandas históricas do sistema público.


