Rio Branco, AC, 8 de junho de 2026 11:47

Copa do Mundo: uma felicidade que não se explica

Não tem jeito. Em toda Copa do Mundo, você pode dizer que “não liga para futebol” ou que “esse time é muito ruim e nem vale a pena torcer”, mas vibra a cada gol, sofre junto quando perde, fica apreensivo em uma disputa de pênaltis e até muda sua rotina. Em época de jogo, a partida vira praticamente um feriado.

Mas calma, isso tem nome. Chamamos esse conceito demotivos extrínsecos da felicidade, ou seja, algo presente no ambiente, algo externo, que modifica você de forma positiva e o torna mais feliz.

E não se engane: o ambiente modifica, e muito, o nosso comportamento. Esse contexto que a Copa do Mundo gera tem a capacidade de transformar diversas situações para melhor. São amigos que não se falavam há anos fazendo as pazes para assistir a um jogo e fazer um churrasco, novas amizades surgindo nesse grande momento e, quem sabe, até novos amores nascendo em decorrência desse ambiente positivo.

E isso só é possível porque o brasileiro é ensinado a gostar de futebol. Não apenas a gostar, mas também a ter orgulho da nossa trajetória. Nosso Rei conseguiu parar uma guerra, e essas histórias de conquista inspiram várias gerações. Até aquele seu amigo chato que torce para a Argentina vibra com um gol do Brasil. Somos condicionados a acreditar no nosso esporte e no nosso futebol.

O resultado disso são pessoas mais felizes e rotinas sendo construídas em torno dos jogos. Há muito churrasco, muitas bebidas sendo consumidas, mas o que realmente importa e permanece são as boas relações. E isso, na psicologia, chamamos de fatores intrínsecos da felicidade, ou seja, aqueles que vêm de dentro.

Os relatórios mais recentes sobre felicidade demonstram que esses fatores internos são os mais eficazes para promover uma sensação duradoura de bem-estar e satisfação com a vida. Ou seja, o período de Copa do Mundo é potente e motivador para nós, conseguindo alterar, de formas grandes e pequenas, nossas rotinas para melhor durante esse curto espaço de tempo.

 

Sobre o autor:

Hanrry Luís é psicólogo clínico, especialista em transtornos ansiosos e alimentares, com 4 anos de experiência clínica. Atua na prática baseada em evidências, integrando conhecimento científico ao raciocínio clínico e à experiência prática.

 

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