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Da pobreza extrema à sala de aula: professor empossado em concurso no Acre transforma superação em inspiração pela educação

Da infância marcada pela pobreza extrema às salas de aula da rede estadual, a trajetória de Francisco Leandro Santos, de 34 anos, é um exemplo de superação impulsionada pela educação e pela cultura. No último dia 5, ele assinou o termo de posse como professor efetivo do Estado, após ser aprovado no maior concurso já realizado pela Secretaria de Educação e Cultura.

Morador de Sena Madureira, Francisco, conhecido como Leo do Hip Hop, relembra uma infância difícil, em que precisou assumir responsabilidades muito cedo para ajudar na sobrevivência da família. Sem pai e sem mãe por um período, acordava ainda de madrugada para pedir dinheiro nas ruas e garantir o mínimo para se alimentar. Em muitos dias, a alimentação se resumia à jacuba e ao chamado caldo de caridade.

A realidade dura das ruas fez parte da sua história ainda antes dos 12 anos de idade, enquanto a mãe cuidava de outros filhos pequenos em casa. Mesmo diante das adversidades, ele encontrou apoio em pessoas que lhe ofereceram abrigo e comida, o que foi essencial para que conseguisse seguir em frente.

Segundo ele, a educação e a cultura hip hop foram determinantes para mudar o rumo da sua vida. Foi nesse universo cultural que encontrou força, identidade e perspectiva de futuro, afastando-se de caminhos marcados pela violência e pelo crime, comuns a muitos jovens que vivem em situação de vulnerabilidade social.

Formado em Física pelo Instituto Federal do Acre, Leo atuou como professor provisório em 2025 e, neste ano, conquistou a tão sonhada efetividade ao ser convocado no concurso da Educação. Hoje, ele transforma as memórias da infância em motivação para atuar dentro da sala de aula e impactar positivamente a vida de jovens estudantes.

Com a estabilidade do cargo, os planos seguem ambiciosos. Leo pretende continuar se qualificando e almeja, no futuro, tornar-se servidor federal. Mais do que metas profissionais, ele carrega o propósito de devolver à sociedade aquilo que um dia recebeu por meio do ensino e da cultura.

Para ele, o hip hop foi mais do que uma expressão artística. Representou uma ferramenta de resistência, aprendizado e transformação pessoal. Foi através da dança, do break e da cultura de rua que aprendeu a enxergar novos horizontes e a acreditar que era possível alcançar patamares mais altos, consolidando uma trajetória que hoje inspira outros jovens a acreditarem na educação como caminho de mudança de vida.