Rio Branco, AC, 14 de setembro de 2026 01:54

Dia do Psicólogo: Muito além da celebração, uma luta diária por valorização, reconhecimento e respeito

No dia 27 de agosto, comemora-se o Dia do Psicólogo. Na verdade, comemora-se a data em que foi decretada a lei que regulamentou a Psicologia como ciência e profissão no Brasil. Ou seja, há 55 anos você pode encher os pulmões e dizer que vai ao psicólogo para ser ouvido; ou, se você for mais cético, pode encher esses mesmos pulmões e dizer que não vai ao psicólogo porque não é doido.

E, infelizmente, essa dicotomia toma conta do que é o “fazer” psicológico. Por um lado, uma grande parcela da população já reconhece a profissão como algo legítimo e necessário para o cenário atual da sociedade. Por outro, uma parcela igualmente grande faz chacota e cria uma caricatura sobre o que é o serviço e o atendimento psicológico.

E tal movimento cartunesco não precisa fazer sentido ou ter o mínimo de coerência, pois, em certo momento, o psicólogo só serve para os ditos “loucos”; em outros, o psicólogo não serve para nada, porque ali só acontece uma conversa.

E quem dera se o trabalho do psicólogo ficasse só nessa bendita conversa. São necessárias horas de estudo para analisar o que foi dito, compreender as demandas apresentadas e estabelecer um plano de tratamento coerente com o contexto daquele paciente, respeitando, ao máximo, suas individualidades.

Afinal, o ser humano é biopsicossocial. Logo, seria de se esperar que uma profissão que cuida de alguns dos grandes males do século, como a depressão, a ansiedade e o estresse, fosse bem vista e devidamente remunerada.

Infelizmente, esse engano é mais comum do que se pensa. A Psicologia, mesmo sendo fundamental para a sociedade, entrou na lógica da uberização e, hoje, temos planos de saúde e plataformas on-line que remuneram o profissional da Psicologia com apenas 15% do valor mínimo estipulado pelo Conselho Federal de Psicologia (CFP).

E, por fim, existe uma linha de pensamento bastante comum: “Se eu preciso de psicoterapia, eu vou ao psicólogo”. Isso dá a entender que, assim como a Medicina é restrita aos médicos, a psicoterapia também seria uma prática exclusiva dos psicólogos.

Porém, embora a Lei nº 4.119/1962 seja extremamente importante, ela deixou uma lacuna que permite que qualquer pessoa, após um curso de um final de semana, se intitule terapeuta e realize atendimentos, possivelmente prestando um péssimo serviço à saúde mental alheia.

Desde sua origem, a Psicologia luta pelo reconhecimento da profissão e pela promoção da saúde mental, inclusive por meio de movimentos como a luta antimanicomial. Ainda assim, existe uma longa batalha a ser travada para que essa profissão seja respeitada e reconhecida como merece.

Um feliz Dia do Psicólogo a todos os profissionais que lutam por uma Psicologia melhor.

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