Nesta segunda-feira (14), é celebrado o Dia Latino-Americano da Imagem da Mulher nos Meios de Comunicação, uma data voltada à reflexão sobre como mulheres são retratadas e ouvidas no rádio, na televisão, nos jornais, na publicidade e em outros espaços de comunicação. A origem da celebração está diretamente ligada ao Brasil: em 1990, participantes do V Encontro Feminista Latino-Americano e do Caribe, realizado na Argentina, escolheram 14 de setembro em homenagem à estreia do programa Viva Maria, da Rádio Nacional, ocorrida nessa mesma data em 1981.
Mara Régia é o nome central dessa história. Jornalista e radialista, ela criou, produz e apresenta o Viva Maria, programa que há mais de quatro décadas abre espaço para direitos civis, políticos e sociais das mulheres. A atuação do programa foi tão reconhecida pelo movimento feminista latino-americano que sua data de estreia acabou escolhida para marcar o Dia Latino-Americano da Imagem da Mulher nos Meios de Comunicação.
Outra precursora foi Carmen da Silva, jornalista e escritora que assinou por mais de duas décadas a coluna A Arte de Ser Mulher, na revista Claudia. Desde os anos 1960, ela escrevia sobre autonomia feminina, trabalho, casamento, maternidade e divórcio em uma época em que muitos desses assuntos ainda eram tratados de forma conservadora pela própria imprensa destinada às mulheres. Pesquisas acadêmicas apontam sua produção como uma das experiências pioneiras do feminismo na imprensa brasileira.
Patrícia Galvão, a Pagu, também deixou uma trajetória marcada pelo jornalismo. Ainda jovem, escreveu para jornais e revistas e, ao longo da carreira, tratou de política, cultura, literatura, teatro e comportamento. Seus textos confrontaram valores conservadores e defenderam maior participação das mulheres na vida pública, fazendo dela uma referência histórica na relação entre imprensa, cultura e emancipação feminina.
No mercado editorial, Rose Marie Muraro teve papel decisivo na circulação de ideias feministas. Escritora, intelectual e editora, trabalhou na Editora Vozes e posteriormente ajudou a criar a editora Rosa dos Tempos, dedicada a obras relacionadas às mulheres e às questões de gênero. Sua atuação foi reconhecida oficialmente em 2005, quando recebeu por lei o título de Patrona do Feminismo Brasileiro.
Já Sueli Carneiro ampliou esse debate ao colocar raça e gênero no centro da comunicação feminista brasileira. Filósofa, escritora e uma das fundadoras do Geledés – Instituto da Mulher Negra, ela participou da construção de espaços de comunicação voltados à denúncia do racismo e do sexismo. O próprio Geledés mantém um portal de informação e debate, e Sueli atuou também como editora do veículo, contribuindo para ampliar a presença e a voz de mulheres negras no debate público.
Assim, a data não trata apenas de quantas mulheres aparecem nos meios de comunicação, mas também de quem tem direito de produzir informação, definir pautas, contar histórias e questionar imagens construídas sobre as próprias mulheres. A trajetória dessas cinco brasileiras ajuda a mostrar como essa disputa por representação foi construída ao longo de diferentes gerações e meios de comunicação.


