A Câmara Municipal de Rio Branco voltou a protagonizar, nesta terça-feira (12), mais um episódio que, aos olhos da população, parece se distanciar cada vez mais daquilo que realmente importa: o interesse público. Em vez de debates técnicos, apresentação de soluções ou discussões voltadas aos problemas enfrentados diariamente pelos rio-branquenses, o plenário foi tomado por gritaria, embates pessoais, troca de acusações e um cenário que classifico como verdadeiro espetáculo de deselegância política.
O episódio expõe uma realidade preocupante: quando o debate político abandona o campo das ideias e mergulha no confronto de egos, quem perde é a população. De um lado, o presidente da Casa, Joabe Lira, é alvo de críticas por parte de colegas parlamentares, acusado de centralizar decisões e manter sob forte controle os recursos da Câmara, postura que alguns vereadores interpretam como excessiva e pouco transparente. Do outro, parlamentares questionam a existência de supostos privilégios e benefícios internos que, segundo alegam, não estariam sendo distribuídos de forma igualitária entre todos os membros do Legislativo municipal.
Mas, em meio a essa disputa, surge uma pergunta inevitável: onde está o cidadão comum dentro dessa pauta?
Enquanto vereadores medem forças nos corredores do poder, bairros seguem convivendo com problemas antigos. A população ainda espera respostas concretas sobre o abastecimento de água, enfrenta dificuldades diárias no transporte coletivo e reclama, de forma recorrente, da precariedade nos serviços de saúde municipal. Sem falar das ruas esburacadas. Questões estruturais que impactam diretamente a qualidade de vida dos moradores acabam ficando em segundo plano diante de uma arena política cada vez mais marcada por conflitos internos.
A democracia pressupõe divergências. O contraditório é saudável, necessário e faz parte da atividade parlamentar. No entanto, há uma diferença clara entre o debate político legítimo e a transformação do parlamento em palco para disputas personalistas. Quando as sessões passam a ser lembradas mais pelos barracos do que pelas propostas, instala-se uma crise silenciosa de representatividade, na qual o eleitor começa a se perguntar se aqueles que escolheu realmente estão lutando pelas demandas da cidade ou apenas disputando espaços de poder.
A Câmara Municipal deveria ser o ambiente onde as dores da população ganham voz institucional. Um espaço destinado à fiscalização do Executivo, elaboração de políticas públicas e construção de consensos mínimos em benefício coletivo. No entanto, cenas de confusão repetidas acabam reforçando uma sensação de descrédito, ampliando a distância entre representantes e representados.
No fim das contas, resta um questionamento que ecoa para além do plenário: se os vereadores seguem em guerra, exatamente em qual momento a população de Rio Branco começa a vencer?


