Estudo da Fecomércio avalia impacto dos pedágios da BR-364 na economia acreana
A Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio/AC) está realizando estudos para dimensionar o impacto real do aumento nos custos das mercadorias comercializadas no estado após o início da cobrança de pedágios na chamada Nova BR-364, no trecho entre Porto Velho e Vilhena, previsto para começar no dia 12 de janeiro.
Ao todo, serão sete pontos de pedágio ao longo da BR-364, entre a divisa de Rondônia com Mato Grosso e a capital Porto Velho. O primeiro ficará localizado em Candeias do Jamari e o último no trecho de Pimenta Bueno. Todos os pontos funcionarão no sistema Free Flow, de forma automatizada, sem cabines de cobrança, por meio da leitura da placa do veículo ou de tags de pedágio.
Os valores variam conforme o tipo e o porte do veículo. Automóveis, caminhonetes e furgões com dois eixos pagarão R$ 144,80 no trajeto entre Porto Velho e Vilhena. Veículos com três eixos terão um custo de R$ 435,40, enquanto caminhões com oito eixos pagarão R$ 1.158,40. Para o transporte de cargas provenientes de outros estados que precisam cruzar Rondônia para acessar o Acre, a estimativa é que um caminhão com cinco eixos tenha um custo médio de R$ 724,00 apenas nesse trecho.
A Fecomércio/AC destaca que esses valores se aplicam exclusivamente ao trecho da BR-364 em Rondônia. No transporte de cargas de São Paulo até o Acre, por exemplo, existem outros pontos de pedágio ao longo do percurso, incluindo trechos em São Paulo, Goiás (dependendo da rota) e Mato Grosso. No total, são mais 22 postos de pedágio entre o Acre e São Paulo, o que significa que os custos de Rondônia não representam o valor total da viagem desde a origem até o destino final.
Segundo o assessor da Presidência da Fecomércio Acre, Egídio Garó, a implantação da cobrança de pedágio deve provocar impactos diretos na economia acreana, especialmente na formação de preços e no custo de vida da população. “Certamente, o custo do pedágio comporá a formação de preços no comércio varejista e atacadista do Acre. Todos os produtos que aqui chegarem após o dia 11, quando do início das operações, sofrerão aumento em seus preços ao consumidor final e interferirão, ainda, no custo da cesta básica para famílias de baixa renda. A Portaria ANTT nº 517, de 2025, publicada no Diário Oficial da União, define as tarifas e os pontos onde serão aplicadas. Com isso, a redução de custos obtida quando da inauguração da ponte sobre o Rio Madeira retornará aos custos operacionais do comércio, afetando diretamente a economia do Estado”, avaliou.
Por outro lado, Garó ressalta que a concessão da rodovia também traz avanços importantes do ponto de vista estrutural e operacional. “Contudo, cabe informar que a cobrança dos pedágios melhorará as condições de rodagem da rodovia, trará mais segurança durante as viagens e outros serviços, tais como: operações de atendimento do SAMU; monitoramento eletrônico; estruturação para cobertura 4G; e áreas de apoio e pontos de descanso. Mesmo percebendo um real aumento nos preços finais, o impacto pode ser menor por conta da infraestrutura oferecida pela rodovia, da minimização de acidentes, da integridade dos produtos transportados e da manutenção veicular”, pontuou Garó.
Após o início das operações, a Federação do Comércio do Acre informou que seguirá monitorando a evolução dos preços e os reflexos da cobrança de pedágios na economia do estado.