A família de Deyvid Silva dos Anjos, de 36 anos, que morreu após sofrer um grave traumatismo cranioencefálico (TCE) provocado por um atropelamento em Sena Madureira, no interior do Acre, divulgou uma nota à imprensa na qual levanta questionamentos sobre o atendimento médico recebido pelo paciente e sobre uma possível demora na adoção de medidas consideradas necessárias diante da gravidade do quadro.
Segundo a família, o atropelamento teria sido provocado de forma violenta e irresponsável por um adolescente de 17 anos. Deyvid foi encaminhado ao Hospital João Câncio Fernandes, onde, conforme os familiares, apresentava quadro grave, com comprometimento do nível de consciência e alterações hemodinâmicas.
A principal dúvida levantada pela família diz respeito ao momento em que teria sido tomada a decisão pela intubação orotraqueal, procedimento utilizado para garantir uma via aérea definitiva e preservar a ventilação e a oxigenação do paciente.
De acordo com documentos que, segundo os familiares, estão sendo reunidos para análise, teria ocorrido um intervalo de aproximadamente 20 minutos até a definição do manejo das vias aéreas. Inicialmente, teria sido utilizada uma máscara laríngea, dispositivo considerado temporário para manutenção da via aérea, em vez da intubação orotraqueal.
A família também questiona a condução do transporte do paciente. Segundo relatos e documentos apresentados pelos familiares, a sedoanalgesia utilizada durante o procedimento não teria sido realizada de maneira adequada. Ainda conforme a família, Deyvid teria despertado durante o transporte, apresentado vômitos e sofrido uma possível broncoaspiração.
A irmã do paciente, segundo a nota, teria presenciado parte da situação. Os familiares afirmam ainda que a médica responsável pelo transporte estaria sentada no banco dianteiro da ambulância e, na avaliação da família, não teria acompanhado diretamente o paciente durante o deslocamento.
Durante o trajeto, ainda segundo os familiares, Deyvid teria apresentado piora dos sinais vitais e sofrido uma primeira parada cardiorrespiratória. Após as medidas de ressuscitação realizadas pela equipe do Samu, os sinais vitais teriam retornado, e a equipe teria decidido retornar ao Hospital João Câncio Fernandes para estabilização.
Já na unidade de saúde, conforme os documentos mencionados pela família, teriam sido realizadas outras três tentativas de intubação orotraqueal. Durante o atendimento, o paciente teria sofrido uma nova parada cardiorrespiratória e, apesar das tentativas de reanimação, não teria apresentado retorno dos sinais vitais.
A família também questiona as condições da equipe médica disponível naquele momento. Segundo a nota, um dos médicos plantonistas estaria com o braço enfaixado, o que, na avaliação dos familiares, poderia ter limitado sua capacidade de executar determinados procedimentos. A família afirma que essa situação precisa ser esclarecida e que deve ser verificado se havia profissionais habilitados e em condições de realizar o atendimento necessário.
Outro ponto levantado pelos familiares é a ausência, segundo eles, de um acionamento imediato de uma equipe avançada do Samu de Rio Branco, considerando a gravidade do quadro clínico. A família questiona se, diante da complexidade da situação e de uma eventual indisponibilidade de profissionais capacitados na unidade hospitalar, não deveria ter sido solicitado suporte médico avançado.
Diante dos questionamentos, a família afirma estar reunindo documentos e elementos que pretende apresentar às autoridades competentes para que seja realizada uma análise detalhada do atendimento prestado, dos procedimentos adotados, dos horários registrados e das condições da equipe responsável pela assistência.
Os familiares defendem que a apuração possa esclarecer a sequência dos acontecimentos, identificar quais profissionais estavam disponíveis e habilitados para realizar os procedimentos e verificar se todos os protocolos necessários foram cumpridos diante da gravidade do estado de saúde do paciente.


