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FedEx encerra entregas domésticas no Brasil após quase 40 anos e expõe crise no setor logístico

A FedEx, gigante americana do setor de logística, decidiu encerrar as entregas domésticas no Brasil e não vai mais transportar cartas, documentos e encomendas dentro do país. A decisão, tomada após quase 40 anos de atuação em território brasileiro, escancara a gravidade da crise no setor logístico nacional e evidencia os obstáculos enfrentados por investidores estrangeiros, como insegurança, infraestrutura deficiente e excesso de burocracia.

A saída da FedEx ocorre em um momento delicado para o setor postal e de transporte expresso. Na América Latina, os Correios brasileiros seguem como o maior operador postal, porém acumulam 13 trimestres consecutivos de prejuízos, o que reforça o cenário de deterioração. Somente entre janeiro e setembro de 2025, a estatal registrou perdas de R$ 6 bilhões.

Diante do cenário adverso, os Correios anunciaram um amplo plano de reestruturação, cujo custo estimado chega a R$ 20 bilhões. O valor elevado do investimento necessário evidencia, segundo especialistas, o atraso da empresa em acompanhar transformações tecnológicas e mudanças no mercado global de logística e transporte expresso.

Para o economista Carlos Honorato, da FIA Business School, a situação exige um planejamento rigoroso e estratégico. Na avaliação dele, os Correios perderam tempo precioso no processo de inovação, o que compromete a capacidade de resposta da empresa frente à concorrência e às novas demandas do mercado. Segundo Honorato, o volume de recursos necessário apenas para recuperar o atraso demonstra que a estatal enfrenta dificuldades estruturais e não apresenta viabilidade imediata sem mudanças profundas em sua gestão e modelo operacional.

A decisão da empresa americana de deixar o país reforça a percepção de que o ambiente de negócios no Brasil segue pouco atrativo para grandes operadores internacionais, especialmente em setores que dependem de logística eficiente, segurança e regras claras. O episódio reacende o debate sobre a necessidade de reformas estruturais que tornem o país mais competitivo e capaz de reter investimentos de longo prazo.