A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e seus sindicatos filiados manifestaram indignação com a condução e o formato do debate eleitoral promovido pela TV Bandeirantes na noite de domingo (18). Em nota, a entidade criticou o predomínio de provocações, bordões e ataques pessoais e afirmou que o modelo prejudicou a apresentação de propostas e o esclarecimento dos eleitores.
Segundo a Fenaj, o debate, que deveria funcionar como um espaço democrático de confronto de ideias, acabou se transformando em um espetáculo, deixando em segundo plano o interesse público e a qualidade da informação.
Na manifestação, a entidade afirmou que o jornalismo não pode ficar subordinado à busca por audiência ou às estratégias eleitorais dos candidatos. A federação também criticou situações em que perguntas não são respondidas, informações falsas não são confrontadas e argumentos dão lugar a encenações.
A Fenaj reconheceu a trajetória dos profissionais responsáveis pela mediação, mas questionou a responsabilidade editorial da emissora, a fragilidade das regras e a falta de mecanismos para garantir a finalidade jornalística do encontro.
Para a entidade, a igualdade no tempo de fala dos candidatos não é suficiente para assegurar um debate de qualidade. É necessário, segundo a nota, garantir informações relevantes, fundamentadas e passíveis de verificação.
Entidade cobra enfrentamento à desinformação
A federação também ressaltou que a imparcialidade jornalística não deve ser confundida com neutralidade diante de informações falsas. Na avaliação da entidade, cabe ao jornalismo questionar, confrontar versões, contextualizar acontecimentos e exigir respostas dos candidatos.
Outro ponto criticado foi a falta de espaço para discussões sobre temas considerados fundamentais para o país, como saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais.
De acordo com a Fenaj, debates eleitorais devem priorizar propostas concretas, em vez de favorecer ataques pessoais e declarações voltadas à produção de trechos para circulação nas redes sociais.A entidade defendeu que as emissoras revisem seus modelos de debates eleitorais e adotem regras mais efetivas para garantir respostas objetivas, intervenções editoriais diante de informações comprovadamente falsas e responsabilização pelo descumprimento das normas estabelecidas.
Fenaj defende direito à informação
Na nota, a federação argumentou que a adoção de regras mais rigorosas não representa uma tentativa de restringir o contraditório ou interferir no pensamento dos eleitores, mas uma forma de assegurar o direito constitucional à informação de qualidade e proteger a liberdade de escolha.
A entidade também alertou para os riscos da normalização da mentira, da violência verbal e dos ataques às instituições democráticas, defendendo que empresas de comunicação, profissionais e organizações representativas reafirmem os princípios éticos do jornalismo.
Ao final do documento, a Fenaj reafirmou seu compromisso com a liberdade de imprensa, a ética profissional, o direito à informação e a defesa da democracia.
“Debate eleitoral não é entretenimento. Jornalismo não é espetáculo. Democracia não se constrói com mentiras”, concluiu a entidade, ao defender que a sociedade brasileira merece debates compatíveis com os desafios do país.


