Rio Branco, AC, 28 de agosto de 2026 15:21

Goldman Sachs vê pressão sobre crédito no Brasil com juros altos e endividamento das famílias

O mercado de crédito brasileiro começou a perder ritmo diante do alto endividamento das famílias e do aumento da inadimplência. Em julho, o volume de empréstimos do Sistema Financeiro Nacional (SFN) cresceu 0,3% em relação a junho, abaixo da alta de 0,6% registrada no mês anterior. Em 12 meses, o avanço acumulado foi de 9,5%. Os dados de junho mostram que o endividamento das famílias ficou em 49,8% da renda, enquanto o comprometimento com o pagamento das dívidas atingiu 28,9%, maior nível da série.

O Goldman Sachs, banco de investimento e serviços financeiros dos Estados Unidos, avalia que as condições de crédito devem enfrentar dificuldades nos próximos meses. Entre os fatores apontados estão a política monetária restritiva, a desaceleração da economia, um mercado de trabalho menos favorável, o aumento da inadimplência e o elevado nível de endividamento das famílias. Apesar de a taxa média de juros do crédito livre para pessoas físicas ter recuado 3,9 pontos percentuais em julho, o custo permaneceu próximo de 60% ao ano. Para os analistas, a atuação dos bancos públicos e as linhas de financiamento apoiadas pelo governo podem evitar uma retração mais acentuada do crédito.

Os dados também mostram aumento dos atrasos superiores a 90 dias, que chegaram a 4,88% no sistema financeiro. O Itaú BBA identificou movimentos diferentes entre consumidores e empresas nos atrasos de 15 a 90 dias, enquanto o Bradesco BBI apontou estabilidade nessa faixa, em torno de 4,7%, e melhora em algumas modalidades destinadas às pessoas físicas. Para o Goldman Sachs, porém, a combinação de juros elevados, inadimplência e endividamento deve limitar a capacidade do crédito de sustentar a atividade econômica nos próximos meses.

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