O Governo do Acre suspendeu por três meses a execução de um contrato da Secretaria de Estado de Educação e Cultura (SEE) com a empresa Palmer Soluções Educacionais.
A decisão ocorre poucos dias após a deflagração da Operação Death Note, realizada pela Polícia Federal (PF) com apoio da Controladoria-Geral da União (CGU), que investiga possíveis irregularidades envolvendo recursos destinados à Educação no estado.
O contrato chamou a atenção dos órgãos de controle porque previa o fornecimento de um sistema de software para estudantes da rede estadual. Segundo informações apresentadas pela CGU, a contratação tinha valor de aproximadamente R$ 25 milhões por ano, com pagamentos que chegavam a cerca de R$ 2 milhões mensais.
A CGU informou ainda que, durante a análise, foi identificado que estudantes cadastrados como usuários da plataforma não necessariamente utilizavam ou sequer tinham conhecimento do sistema.
Outro ponto levantado pela CGU foi a situação da própria empresa contratada. De acordo com o órgão, a Palmer Soluções Educacionais havia sido criada poucos meses antes da licitação e apresentava características consideradas de risco durante a análise.
A operação foi deflagrada em 17 de setembro e cumpriu 27 mandados de busca e apreensão em seis cidades do Acre, Amazonas e São Paulo. A investigação apura suspeitas de direcionamento de licitações, desvio de recursos públicos, corrupção e lavagem de dinheiro. Segundo a PF e a CGU, o possível prejuízo aos cofres públicos ultrapassa R$ 30 milhões.
A Secretaria de Estado de Educação e Cultura informou que colaborou com a Polícia Federal durante as diligências e disponibilizou documentos e informações solicitados pelos investigadores. A pasta também afirmou manter o compromisso com a transparência, a legalidade e a correta aplicação dos recursos públicos.


