João Marcos Luz, fraco e sem habilidade para ser vereador, e estabanado como secretário
Íam Arábar
Enquanto o Rio Acre permanece acima da cota de transbordamento, com risco real de atingir ainda mais famílias carentes em Rio Branco, o secretário municipal de Assistência Social e Direitos Humanos, João Marcos Luz, decidiu abandonar a capital para acompanhar o deputado federal de Minas Gerais, Nikolas Ferreira, na chamada “Caminhada pela liberdade”. Ex-vereador e hoje ocupando um cargo estratégico, com salário que se aproxima dos 30 mil reais mensais, João Marcos parece alheio à gravidade do momento vivido pela cidade que deveria ser sua prioridade absoluta.
A Secretaria de Assistência Social é uma das mais sensíveis em períodos de crise. Cabe a ela coordenar abrigos, garantir atendimento emergencial, organizar doações e assegurar direitos básicos às populações atingidas. Em meio a alagamentos, famílias desalojadas e uma rede de apoio operando no limite, a ausência do titular da pasta não é apenas simbólica, mas revela uma escolha política que beira a irresponsabilidade administrativa.
Nos bastidores da política acreana, a avaliação é de que a decisão expõe também a fragilidade do próprio secretário. João Marcos não possui um grande currículo técnico ou administrativo que justifique o posto que ocupa. Sua trajetória pública sempre foi marcada mais pelo alinhamento político do que por resultados concretos. A principal característica atribuída a ele por colegas e observadores é a agressividade no discurso quando questionado ou confrontado, postura que substitui argumentos por ataques e pouco contribui para o debate público ou para a construção de soluções.
Durante seu mandato como vereador de Rio Branco, João Marcos jamais se destacou por produtividade legislativa. Sua atuação ficou restrita à defesa incondicional de qualquer pauta do prefeito Sebastião Bocalom, do PL, e a ataques recorrentes à vereadora Elzinha Mendonça, do PP. Não deixou projetos relevantes, não apresentou propostas estruturantes e tampouco construiu uma agenda própria em favor da população da capital.
Agora, à frente de uma secretaria fundamental, o comportamento se repete. Em vez de liderar ações diante de uma crise humanitária concreta, o secretário opta por participar de um ato de caráter ideológico e midiático fora do estado. Para muitos, a movimentação tem outro pano de fundo. Corre nos bastidores que João Marcos já articula uma candidatura em 2026, o que ajuda a explicar a busca por projeção nacional, mesmo que isso signifique virar as costas para a realidade dramática vivida por centenas de famílias em Rio Branco.
Enquanto o secretário caminha ao lado de lideranças de fora, moradores seguem fora de casa, dependendo de doações, abrigos improvisados e da boa vontade de equipes técnicas que seguem trabalhando sem o comando presente. A enchente do Rio Acre expõe não apenas a vulnerabilidade social da capital, mas também a fragilidade política de quem deveria estar à frente, cuidando de gente, e não de palanque.