Rio Branco, AC, 22 de outubro de 2026 20:54

Juros altos dificultam acesso da indústria brasileira ao crédito, aponta CNI

Pesquisa mostra que 76% das empresas com dificuldades em financiamentos de curto e médio prazo citam as taxas elevadas; pequenas empresas enfrentam mais negativas.

Os juros elevados são o principal entrave para a indústria brasileira conseguir empréstimos e financiamentos, segundo pesquisa divulgada nesta sexta-feira (9) pela Confederação Nacional da Indústria (CNI). Entre as empresas que enfrentaram dificuldades para obter crédito de curto e médio prazo, 76% apontaram as taxas como um dos obstáculos. Nas operações de longo prazo, o índice foi de 69%.

O levantamento ouviu 1.701 empresas industriais entre 3 e 12 de agosto, considerando as condições de acesso ao crédito de fevereiro a julho de 2026. Apesar de continuarem no topo das dificuldades, os juros foram menos citados do que em 2025, quando apareceram em 80% das respostas sobre crédito de curto e médio prazo e em 71% das operações de longo prazo. Depois das taxas, as empresas apontaram as exigências de garantias reais, a burocracia e os prazos de carência insuficientes.

A pesquisa também mostra que muitas empresas não conseguiram financiamento. Entre as que buscaram crédito, 24,7% não obtiveram recursos de curto ou médio prazo, ante 20% em 2025. No longo prazo, a taxa de insucesso passou de 33% para 37,2%. As pequenas empresas foram as mais afetadas: 48,2% das que procuraram crédito de longo prazo não conseguiram contratar ou renovar o financiamento, índice próximo ao das médias empresas, de 48,1%, e superior ao das grandes, de 29,9%.

Outro dado apontado pela CNI é o uso de financiamentos de longo prazo para pagar despesas cotidianas. Entre as empresas que recorreram a esse tipo de operação, 28,7% citaram o capital de giro como finalidade, acima da compra de máquinas e equipamentos, mencionada por 23,6%. Para facilitar o acesso ao crédito, os empresários apontaram a redução de custos tributários e administrativos como principal medida, seguida pela ampliação das linhas públicas de financiamento e pela simplificação das exigências bancárias.

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