Nova ferramenta auxilia magistrados na análise de processos e elaboração de decisões e conta com sistema de segurança para identificar tentativas de manipulação da inteligência artificial.
O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apresentou novas funcionalidades do Gabinete do Juízo, sistema utilizado para auxiliar magistrados e assessores na rotina dos tribunais. Entre as novidades está um chat de inteligência artificial integrado à plataforma, capaz de apoiar a análise de processos e a elaboração de minutas.
A ferramenta reúne em um único ambiente atividades como consulta a processos, localização de documentos, elaboração de despachos, decisões e sentenças, assinatura de minutas e gerenciamento de tarefas. Com a IA, também é possível realizar leitura assistida dos autos e buscar precedentes relacionados aos casos analisados.
Uma das principais preocupações, porém, é impedir que a própria inteligência artificial seja usada para tentar interferir no trabalho da Justiça. O sistema conta com mecanismos para detectar possíveis casos de “prompt injection”, técnica em que comandos podem ser escondidos dentro de documentos para tentar induzir uma ferramenta de IA a executar determinadas instruções sem que elas estejam visíveis de forma clara para o usuário.
Na prática, uma petição ou outro arquivo anexado a um processo poderia conter uma instrução direcionada à máquina, e não ao magistrado. Por isso, o CNJ já havia aprovado orientações nacionais para reduzir esse tipo de risco e evitar que comandos ocultos interfiram no funcionamento dos sistemas utilizados pelos tribunais.
Segundo o CNJ, o Gabinete do Juízo trabalha com dados anonimizados e infraestrutura própria do Conselho e possui mecanismos capazes de identificar possíveis tentativas de manipulação e emitir alertas aos usuários. A inteligência artificial funciona como ferramenta de apoio, enquanto a análise e a decisão judicial permanecem sob responsabilidade humana.


