Rio Branco, AC, 27 de outubro de 2026 16:37

Justiça da Itália adia julgamento sobre extradição de Carla Zambelli para 24 de novembro

A Justiça da Itália adiou para 24 de novembro o julgamento do pedido de extradição da deputada federal cassada Carla Zambelli para o Brasil. A decisão foi tomada pela Corte de Apelação de Roma após a defesa solicitar mais tempo para analisar documentos enviados pelo governo brasileiro sobre as condições da Penitenciária Feminina do Distrito Federal, conhecida como Colmeia, onde ela poderá cumprir pena caso seja extraditada.
O julgamento estava previsto para esta terça-feira (27), mas os advogados alegaram que não tiveram acesso à documentação necessária para contestar as informações sobre as condições de encarceramento e as garantias relacionadas à saúde da ex-parlamentar.
Em nota, o advogado Eduardo Maurício, que representa Zambelli, afirmou que a ausência dos documentos impedia o exercício da ampla defesa e do contraditório. O defensor também declarou que extraditar a ex-deputada para o Brasil seria equivalente a “entregá-la à morte”, sob a alegação de que o sistema prisional brasileiro é desumano e degradante.
A extradição já havia sido autorizada em primeira instância pela Justiça italiana. No entanto, a defesa recorreu à Corte de Cassação, última instância judicial do país, que determinou a realização de um novo julgamento diante da falta de informações sobre as condições carcerárias brasileiras.

Segunda análise de extradição
Este é o segundo pedido de extradição de Carla Zambelli submetido à Justiça italiana. O primeiro está relacionado à condenação por invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e falsidade ideológica.
Em 2025, a Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) condenou Zambelli a dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas do CNJ, realizada em 2022. Segundo a condenação, o objetivo era inserir um mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes.
Na ocasião, a defesa conseguiu reverter a autorização de extradição na Justiça italiana. Ao analisar o caso, os magistrados mencionaram questionamentos sobre a imparcialidade do julgamento no Brasil, especialmente em relação à atuação de Moraes como relator.

Condenação por perseguição a jornalista
Carla Zambelli também foi condenada pelo STF, em 2025, a cinco anos e três meses de prisão, em regime inicial semiaberto, pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.
O processo está relacionado a um episódio ocorrido em 2022, quando a então deputada sacou uma arma e perseguiu o jornalista Luan Araújo pelas ruas de São Paulo, às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais.
É essa condenação que fundamenta o pedido de extradição atualmente em análise pela Justiça italiana.

Prisão na Itália
Após a primeira condenação, antes da expedição da ordem para o cumprimento da pena, Zambelli deixou o Brasil utilizando o passaporte europeu. Ela passou pelos Estados Unidos e seguiu para a Itália, onde alegou ser vítima de perseguição política e pediu refúgio.
A ex-deputada chegou a ser presa em Roma a pedido do Supremo Tribunal Federal, por meio de solicitação do governo brasileiro para sua extradição. Após a negativa definitiva do primeiro pedido, ela foi solta.
Atualmente, Zambelli aguarda em Roma a nova análise da Justiça italiana sobre sua extradição para o Brasil, agora relacionada à condenação por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal.

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