Rio Branco, AC, 5 de junho de 2026 10:04

Justiça determina prisão de jornalista perseguido por Carla Zambelli em 2022

O jornalista Luan Araújo, conhecido nacionalmente após ser perseguido a mão armada pela então deputada federal Carla Zambelli durante o período eleitoral de 2022, teve a prisão em regime aberto determinada pela Justiça de São Paulo em razão do não pagamento de uma indenização por difamação.

A decisão foi proferida pelo juiz José Fernando Steinberg, do Juizado Especial Criminal do Foro de Barra Funda, na capital paulista. O magistrado converteu a pena restritiva de direitos em pena privativa de liberdade após o jornalista não cumprir a obrigação de pagamento estabelecida pela Justiça.

Araújo havia sido processado por Zambelli após publicar um texto crítico à então parlamentar na sequência do episódio que ganhou repercussão nacional. Na publicação, o jornalista utilizou termos considerados ofensivos pela Justiça ao se referir à deputada e a seus apoiadores.

Embora tenha sido absolvido da acusação de injúria, ele acabou condenado por difamação e obrigado a pagar indenização. Segundo os autos, o valor atualizado da dívida, incluindo multas e custas processuais, supera R$ 2,2 mil.

Na decisão publicada em 1º de junho, o juiz destacou que, apesar de devidamente intimado, o condenado não efetuou o pagamento da prestação pecuniária imposta, motivo pelo qual determinou a conversão da pena.

A defesa de Luan Araújo não se manifestou sobre o caso até o momento. Tentativas de contato realizadas pela Agência Brasil não obtiveram retorno.

Caso ganhou repercussão nacional

O episódio envolvendo Zambelli e Araújo ocorreu poucos dias antes do segundo turno das eleições presidenciais de 2022. Após uma discussão em via pública, a então deputada sacou uma arma de fogo e perseguiu o jornalista pelas ruas da capital paulista, chegando a entrar em uma lanchonete durante a ação. Imagens gravadas por testemunhas circularam amplamente nas redes sociais e veículos de comunicação.

Em agosto do ano passado, o Supremo Tribunal Federal condenou Carla Zambelli a cinco anos e três meses de prisão pelos crimes de porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal com emprego de arma.

Além dessa condenação, a ex-parlamentar também foi sentenciada a dez anos de prisão por envolvimento na invasão dos sistemas eletrônicos do Conselho Nacional de Justiça. Após deixar o Brasil e seguir para a Itália, Zambelli passou a ser alvo de um pedido de extradição apresentado pelas autoridades brasileiras.

A solicitação chegou a ser aceita em instâncias iniciais da Justiça italiana, mas a decisão foi posteriormente revertida pela Corte de Apelação de Roma, mantendo indefinida a situação da ex-deputada no exterior.

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