O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu, neste domingo (27), o fim do fundo eleitoral e uma reforma política ampla no Brasil. As declarações foram dadas durante entrevista ao programa Canal Livre, da TV Band.
Segundo Lula, o atual modelo político estaria marcado pelo que chamou de “promiscuidade generalizada”, além de contribuir para a polarização. Para o presidente, uma reforma deveria fazer com que os partidos passassem a representar de forma mais clara diferentes setores da sociedade.
“Não é possível a gente continuar com a promiscuidade política do jeito que está. Não é possível a gente continuar com o Congresso Nacional com 50% do orçamento da União”, afirmou.
Lula disse ainda que pretende defender mudanças no sistema político e afirmou que, sem uma reforma, a polarização continuará. Na avaliação apresentada pelo presidente, os partidos deveriam ter programas e posições mais claramente definidos.
Críticas ao financiamento de campanhas
Durante a entrevista, Lula também criticou a forma como os recursos públicos são utilizados para financiar partidos e campanhas eleitorais. Ele afirmou que apoiou anteriormente a criação dos fundos partidário e eleitoral, mas considera que o modelo atual precisa ser revisto.
O presidente citou o PT como exemplo de partido que, segundo ele, possui programa, manifesto e bandeiras definidas. Na sequência, criticou outras legendas por, em sua avaliação, terem se estruturado principalmente em torno da obtenção de recursos e do número de parlamentares eleitos.
“Então isso já precisa acabar”, afirmou Lula ao comentar o financiamento de campanhas.
O presidente também relacionou o chamado orçamento secreto ao funcionamento do sistema político e defendeu mudanças para ampliar a participação de novas lideranças.
“Nós precisamos criar as condições de pensar um pouco nesse país, para dar chance às pessoas novas que querem entrar na política”, declarou.
Lula comenta investigação envolvendo Lulinha
Na mesma entrevista, Lula falou sobre o inquérito que envolve seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, e o ex-assessor Marcola.
O presidente afirmou que apoia a investigação e negou ter feito qualquer intervenção para proteger o filho. Apesar disso, disse acreditar na inocência de Lulinha e de Marcola.
“O meu filho está à disposição da Justiça e eu não fiz um único gesto, em nenhum momento, para que meu filho tivesse qualquer proteção”, afirmou.
Lula disse ainda que, caso tenha ocorrido alguma irregularidade, os envolvidos devem responder pelos fatos. Segundo ele, a investigação deve determinar se houve ou não crime.
Presidente comenta mensagens entre Lulinha e Roberta Luchsinger
Lula também foi questionado sobre ligações e mensagens trocadas entre Lulinha e a lobista Roberta Luchsinger. O presidente afirmou que conversas telefônicas, por si só, não seriam suficientes para determinar a existência de um crime.
Durante a entrevista, Lula voltou a fazer críticas à lobista e afirmou que não acredita que seu filho tenha procurado autoridades para interceder por ela.
O presidente destacou que somente a apuração dos fatos poderá esclarecer se houve alguma irregularidade.
“Só você sabe a verdade. Se você fez ou não fez, não é o telefone que está dizendo, é se você colocou em prática aquilo que está no telefone”, afirmou ao relatar o que teria dito ao filho.


