Rio Branco, AC, 3 de outubro de 2026 17:25

Monitoramento aponta 13 mil ataques contra candidaturas LGBT+ nas redes sociais

Um monitoramento realizado pela plataforma Sentinela identificou cerca de 13 mil comentários classificados como ofensivos e direcionados a pessoas ou candidaturas LGBT+ durante o período eleitoral de 2026. Os dados foram obtidos a partir da análise de publicações no Instagram e divulgados neste sábado (3). 

Segundo o levantamento, a plataforma acompanhou mais de 1 milhão de interações em contas de candidaturas que permitiram o monitoramento. Desse universo, 307.185 comentários foram selecionados para uma análise aprofundada por apresentarem potencial de violência.

A avaliação considerou quatro critérios: a existência de violência no comentário, a identificação do alvo, a presença de conteúdo LGBTfóbico e se esse conteúdo atingia diretamente a candidatura monitorada. A metodologia combina coleta automatizada, classificação e inteligência artificial generativa e foi desenvolvida pelo Instituto Plena Cidadania (IPC), responsável também pelo projeto VoteLGBT. 

Mais de 11 mil contas aparecem entre os ataques

O estudo também identificou mais de 11 mil contas diferentes envolvidas nos 13 mil comentários ofensivos com alvo definido. A análise apontou ainda que parte das agressões foi repetida.

Um grupo de 224 contas consideradas mais ativas foi responsável por 1.718 comentários. Em outro recorte, 1.267 contas voltaram a atacar a mesma candidatura em mais de uma publicação. 

A Sentinela também encontrou situações que, segundo a plataforma, apresentam indícios de atuação coordenada. Em um dos casos, 63 contas reproduziram a mesma mensagem contra uma candidatura de Goiás em um intervalo de aproximadamente três minutos. Para o Instituto Plena Cidadania, a repetição do conteúdo por diferentes perfis em um período tão curto representa um forte sinal de possível coordenação, embora situações desse tipo demandem investigação. 

Mulheres e pessoas negras são maioria entre os alvos

Os dados parciais apontam que 92,7% das agressões registradas foram direcionadas a candidaturas de mulheres LGBT+. Em 83,6% dos casos, as candidaturas atingidas eram de pessoas negras. 

O levantamento continua sendo atualizado durante o processo eleitoral. Segundo a Sentinela, a ferramenta adota um critério considerado conservador para reduzir falsos positivos: quando o contexto de um comentário é considerado ambíguo, o conteúdo não é contabilizado. 

O monitoramento tem como objetivo identificar padrões de violência política nas redes sociais e compreender como os ataques se repetem e se distribuem entre diferentes perfis durante o período eleitoral.

Compartilhe

Facebook
Twitter
WhatsApp