Rio Branco, AC, 31 de outubro de 2026 13:36

Mortes por doenças respiratórias mais que dobram nos meses de seca no Acre, aponta levantamento da Saúde

Estudo da Sesacre revela aumento de 105,5% na média mensal de óbitos entre janeiro e setembro, período marcado pela intensificação da fumaça e da poluição atmosférica.

Um levantamento divulgado pela Secretaria de Estado de Saúde do Acre (Sesacre), nesta semana, acendeu um alerta sobre os impactos das condições ambientais na saúde da população acreana. Segundo o estudo, a média mensal de mortes provocadas por doenças respiratórias passa de 18 em janeiro para 37 em setembro, representando um crescimento de 105,5%. Os números fazem parte de uma série histórica que reúne informações de 2016 a julho de 2026, e não correspondem exclusivamente aos óbitos registrados neste ano.

O período mais preocupante coincide com os meses de estiagem, quando as queimadas e a presença de fumaça comprometem a qualidade do ar. Conforme os dados, a concentração média de partículas finas de poluição, conhecidas como PM2,5, chega a 66,59 microgramas por metro cúbico em setembro, enquanto em janeiro a média é de 10,14. Essas partículas são capazes de penetrar profundamente no sistema respiratório e estão associadas ao agravamento de doenças pulmonares e cardiovasculares.

Além do crescimento na mortalidade, o levantamento também identificou um aumento expressivo nas internações hospitalares por problemas respiratórios. A média mensal passa de 82 internações em janeiro para 165 em setembro, crescimento superior a 100%. As doenças cardiovasculares também apresentam um cenário preocupante, com a média de mortes subindo de 62 para 92 no mesmo intervalo da série histórica.

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