Projeto História e Memória tem objetivo de realizar a gestão do acervo de processos físicos, mas transforma vidas, oferecendo uma oportunidade de emprego para mulheres egressas do sistema prisional e vítimas de violência doméstica
Com peito estufado de orgulho, um sorriso que não saía dos lábios, Ana Lídia, 28 anos, repetiu várias vezes “Isso aqui é oportunidade”, fazendo referência ao projeto “História e Memória”, desenvolvido pelo Tribunal de Justiça do Acre (TJAC), que fornece vaga de trabalho na gestão documental com o acervo de processos físicos a mulheres em situação de vulnerabilidade, egressas do sistema penal e vítimas de violência doméstica.
A iniciativa é realizada há um ano e integra várias políticas judiciárias desenhadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e implantadas pelo Judiciário acreano, como Gestão de Memória e Documental (Resolução n.º 324/2020), promove empregabilidade dentro do Programa Fazendo Justiça e Pena Justa, assim como fornece o atendimento do Centro de Atenção às Vítimas de Crimes e Atos Infracionais (Ceavi).
No Projeto, o objetivo de garantir oportunidade e inclusão social se traduz em transformações de vida e promoção de esperança para mulheres quando se contratam reeducandas e vítimas de violência doméstica, em situação de vulnerabilidade, para a realização do descarte e da digitalização da documentação de processos físicos, como observou a juíza auxiliar da Presidência do TJAC, Zenice Cardozo.:
“Mais que um projeto de gestão documental, é uma iniciativa de transformação social. É a prova de que é possível fazer uma Administração Pública mais eficiente, sem perder de vista aquilo que realmente importa, que são as pessoas. Nosso presidente, desembargador Laudivon Nogueira, sempre diz isso, que o que realmente importa são as pessoas. Então, cuidar da memória é também cuidar do futuro. E esse futuro começa agora, com inclusão, dignidade e oportunidade”.

Escola abraça e Justiça dá responsabilidade
Ana Lídia conta que ficou quase três anos tentando emprego depois que saiu da prisão, mas não conseguia. Então, foi acolhida na Educação, matriculando-se na escola para finalizar o Ensino Médio. “No ano de 2021, por erros meus, eu fui presa e, em 2024, eu saí. Quando eu saí, não vi oportunidades para mim aqui fora, para trabalhar. Comecei a estudar e vi ali que, pelo menos, a escola me abraçava. Fiz currículos, cursos, tentando procurar um emprego, deixei em comércio, loja, e, mesmo assim, não consegui trabalhar. Eu acho que é um desafio para todas que saem do sistema e não têm apoio da sociedade para trabalhar”.
Um dos critérios para participar do projeto é estar matriculada no Ensino Médio, para incentivar que as participantes retomem e concluam seus estudos e tenham outras chances. Ana sonha em fazer faculdade; por enquanto, pensa em Pedagogia.
Ela, que completa um mês na gestão nesta semana, também reconhece sua responsabilidade em honrar seu local de trabalho. “A gente sabe que é uma responsabilidade muito grande que temos, porque estamos na Cidade da Justiça e temos deveres e responsabilidades a cumprir aqui dentro. E eu estou aqui tentando melhorar cada dia mais e ver se consigo me ressocializar, me readaptar. É gratificante. Eu tinha uma meta para mim: poder acordar cedo, ir trabalhar e voltar; era tudo que eu queria. E hoje eu tô vivenciando isso e estou muito feliz, é uma oportunidade incrível”.
Assessoria TJAC


