À medida que o calendário eleitoral se aproxima, começa também uma outra corrida: a corrida pelo espaço, pela visibilidade e, principalmente, pela proximidade com aqueles que carregam maior peso político. Em meio a esse movimento, surgem personagens que pouco apresentam de próprio, mas muito tentam se beneficiar da força, da popularidade e da estrutura de quem já construiu uma trajetória.
Na política, alianças são legítimas. Apoios fazem parte do jogo democrático. O problema aparece quando a relação deixa de ser parceria e passa a funcionar como parasitismo político.
É aquela velha estratégia de se agarrar a um nome forte para tentar chegar mais longe do que as próprias pernas permitiriam. Alguns políticos de menor expressão passam a circular ao redor dos grandes nomes, reproduzem discursos, aparecem nas fotografias, compartilham agendas e tentam transformar a proximidade com uma liderança em capital eleitoral próprio.
É como um pequeno animal que percebe a força de quem corre à sua frente e decide simplesmente pegar carona. Não precisa construir caminho, basta se segurar firme.
E, na política, esse comportamento não é exatamente novidade. Há quem passe anos sem conseguir construir uma identidade política consistente e, quando percebe a aproximação das eleições, procure desesperadamente um padrinho, uma legenda, um grupo ou uma liderança capaz de carregá-lo junto.
O problema é que essa lógica também revela uma certa fragilidade. Quem depende exclusivamente da sombra de um político maior corre o risco de desaparecer quando a luz muda de direção.
A eleição, afinal, não deveria ser uma competição para descobrir quem consegue se pendurar melhor em quem. Deveria ser uma disputa de projetos, ideias, capacidade de liderança e compromisso com a população.
Mas a corrida já começou. E nela veremos muitos corredores. Alguns vão correr com as próprias pernas. Outros, porém, estarão apenas tentando encontrar um cachorro grande o suficiente para carregar o peso de suas pretensões eleitorais.
No fim, o eleitor precisa prestar atenção não apenas em quem está na frente, mas também em quem está agarrado às suas costas.
Porque, na política, há quem queira construir uma trajetória própria e há quem prefira viver da carona dos outros.
E entre correr e pegar carona, a diferença pode estar justamente naquilo que cada candidato tem para oferecer quando o grande nome que o sustenta sai de cena.


