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Nadadora acreana com deficiência visual supera desafios e ganha destaque na imprensa nacional

A história de superação da jovem nadadora acreana Iandra Reis, de 17 anos, ganhou destaque nacional nesta sexta-feira (13), em reportagem exibida no Jornal Hoje, que mostrou como o esporte transformou a vida da atleta mesmo diante de grandes dificuldades.

Moradora da zona rural de Rio Branco, Iandra perdeu a visão aos 14 anos após ser diagnosticada com Hidrocefalia. Em apenas três meses, a doença comprometeu totalmente sua visão. No início, a jovem enfrentou um período de isolamento. “Logo quando eu perdi a visão, eu passei um tempo isolada em casa, que eu não podia sair, não conseguia sair, nem queria mais sair de casa”, explicou a atleta.

A mudança começou a partir da sugestão de uma professora, que apresentou a natação como uma forma de ajudar na reabilitação. A partir daí, Iandra encontrou no esporte um novo propósito. “Conquistei novos amigos, pessoas maravilhosas que me ajudaram a superar a minha deficiência”, disse a jovem.

Desde então, a jovem passou a treinar, competir e conquistar medalhas em competições paralímpicas. Segundo ela, a prática esportiva também trouxe novas amizades e confiança para superar as limitações.

Açude improvisado para treinar

Morando distante do centro da cidade, a atleta enfrenta dificuldades de deslocamento para os treinos. Para ajudar, a família construiu um açude na propriedade rural onde vivem.

O espaço, com cerca de 12 metros de largura por 25 metros de comprimento, foi improvisado com materiais simples. As raias foram feitas com garrafas PET e o local passou a ser uma alternativa para que Iandra mantenha a rotina de treinos.

Ela nada no açude pelo menos duas vezes por semana e completa a preparação no Centro de Referência Paralímpico, localizado na Universidade Federal do Acre, que fica a cerca de 20 quilômetros de sua casa. No centro de treinamento, Iandra recebe orientação profissional e acompanhamento técnico para aprimorar o desempenho na piscina.

De acordo com o treinador, a atleta apresentou evolução significativa nos últimos três anos e tem potencial para crescer ainda mais no esporte. No entanto, a logística para chegar aos treinos ainda é um dos principais desafios. “Ela tem evoluído nesses últimos três anos e ela pode evoluir muito mais”, destacou o treinador.

Entre a literatura e o esporte

Além da natação, Iandra também dedica tempo à escrita. A jovem está produzindo um romance no celular e utiliza um leitor de tela para auxiliá-la, já que não enxerga.

A história da atleta mostra que o esporte foi essencial para que ela retomasse a própria vida após a perda da visão.

“A natação é justamente um dos motivos que eu tenho pra levantar todo dia. Foi o esporte que me ajudou a retomar a minha vida”, disse a jovem.

Com determinação e talento, Iandra segue treinando e sonhando alto. A expectativa é que, no futuro, a jovem acreana possa representar o Brasil nos Jogos Paralímpicos, levando consigo uma trajetória marcada por coragem, superação e esperança.