Natal também é preto: Papais Noéis negros ganham espaço, fortalecem a representatividade e movimentam o mercado no Brasil
O Natal brasileiro está, aos poucos, ganhando novas cores e novos significados. Em shoppings, eventos corporativos, festas particulares e ações promocionais espalhadas pelo país, Papais Noéis negros têm ocupado um espaço que por décadas lhes foi negado. Mais do que uma mudança estética, o movimento representa identidade, afeto, pertencimento e transformação social.
Para muitas crianças e também para adultos, o encontro com um Papai Noel que se parece com elas é um momento marcante. A imagem rompe padrões historicamente eurocentrados e reafirma que a magia do Natal também é preta, diversa e atravessada por histórias que refletem a realidade da população brasileira. A representatividade, nesse contexto, deixa de ser discurso e se transforma em experiência concreta.
Além do impacto simbólico, a presença de Papais Noéis negros também reflete um crescimento do mercado profissional. A atividade é reconhecida, exige preparo técnico, postura, figurino adequado e habilidade para lidar com o público. Durante a temporada natalina, que se concentra entre novembro e dezembro, os profissionais podem alcançar rendimentos que variam entre R$ 10 mil e R$ 12 mil ou até mais, dependendo da agenda e do tipo de contratação.
As oportunidades se multiplicam em diferentes frentes, como shoppings centers, eventos empresariais, campanhas publicitárias, festas privadas e ações sociais. O aumento da demanda acompanha uma mudança gradual de mentalidade por parte de empresas e consumidores, que passaram a compreender o valor da diversidade também como estratégia de conexão com o público.
O caminho, no entanto, ainda não é livre de obstáculos. O preconceito persiste e se manifesta de forma explícita ou velada, seja por resistência do público, seja por decisões comerciais excludentes. Ainda assim, profissionais negros que vestem o traje do bom velhinho seguem enfrentando essas barreiras com talento, profissionalismo e coragem.
Cada contratação representa mais do que um trabalho fechado. Ela abre caminhos, normaliza presenças e amplia possibilidades para outros profissionais negros. O Natal, nesse cenário, deixa de ser apenas uma data comemorativa e se torna um espaço de disputa simbólica, onde existir também é um ato político.
Representar é transformar. E ocupar esses espaços, com dignidade, visibilidade e respeito, não é concessão. É direito.