Um comentário feito por uma suposta estudante de Direito nas redes sociais gerou indignação entre pais e familiares de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e defensores da inclusão. O comentário foi feito em resposta a um vídeo do fotojornalista Diego Gurgel, que relatava o sofrimento enfrentado por seu filho autista em decorrência de episódios de bullying dentro da escola.
Na mensagem, a mulher afirmou que crianças autistas “não são crianças normais” e relatou ter orientado a própria filha a revidar fisicamente caso fosse agredida por um colega com TEA. Ela também defendeu que estudantes autistas fossem separados dos demais alunos, afirmando que “essas crianças deviam ter uma sala só pra elas”.
A declaração provocou forte repercussão por ser considerada discriminatória e por reforçar estigmas historicamente enfrentados por pessoas com deficiência.
O Transtorno do Espectro Autista não torna uma criança menos digna de conviver em sociedade ou de frequentar os mesmos espaços educacionais que os demais estudantes, afirmam terapeutas.
A legislação brasileira garante o direito à inclusão escolar de pessoas com deficiência, vedando qualquer forma de segregação ou discriminação. O Estatuto da Pessoa com Deficiência estabelece que o acesso à educação inclusiva é um direito fundamental e que a convivência entre alunos com diferentes características contribui para a construção de uma sociedade mais respeitosa e preparada para lidar com a diversidade.
A fala também chamou atenção por ter sido publicada justamente em uma discussão sobre bullying sofrido por uma criança autista. Para familiares de pessoas com TEA, declarações desse tipo acabam alimentando preconceitos e dificultando ainda mais o processo de inclusão, além de incentivar comportamentos hostis contra crianças que já enfrentam desafios relacionados à comunicação, interação social e compreensão do ambiente ao seu redor.
A autora ainda não se retratou.


