Tem debate que já deveria estar solucionado faz tempo, misturar álcool e direção é um deles. Ainda assim, o assunto insiste em voltar, como se ainda houvesse espaço para dúvida, tolerância ou relativização, como se dirigir depois de beber pudesse ser tratado como descuido, azar ou exagero da fiscalização. Não pode!
Nos últimos dias, o país voltou a encarar essa verdade da forma mais dura, depois da morte de duas crianças em Diadema, na Grande São Paulo, atingidas por um motorista apontado como embriagado.
Não é preciso ir longe para entender o tamanho do problema. Em Rio Branco, dois casos recentes chamaram atenção, pela gravidade da situação e pela suspeita da presença de álcool nos condutores, no primeiro o motorista colidiu com um poste, capotou, e o veículo acabou destruído por incêndio. Na outra situação, um veículo se chocou violentamente com um poste, em local de alta circulação de veículos e pedestres.
A pergunta que fica: e se não fossem postes ou acostamentos que fossem atingidos? Graças a Deus, até o momento, não há informação sobre feridos, mas nem sempre é assim.
Quando alguém bebe e dirige, não coloca em risco só a própria vida, coloca também a vida de quem está voltando para casa, de quem está trabalhando de moto, de quem atravessa a rua acreditando que o sinal ainda vale alguma coisa. Não é escolha privada, é decisão individual com potencial de tragédia coletiva.
É justamente aí que mora o inconformismo, porque informação já existe, campanha já existe, lei já existe, e ainda assim a sensação prática, em muitas cidades, é de fiscalização rara, blitz pouco frequente, controle quase invisível. Quando isso acontece, o recado que sobra é perigoso: o de que o risco é conhecido, mas a consequência pode nunca chegar.
O que está faltando, no fundo, não é aviso, é presença real do poder público. Falta fiscalização constante, visível, séria, não só depois da tragédia, não só em feriado, não só quando o assunto explode no noticiário. Falta fazer o motorista perceber, na prática, que beber e dirigir não será tratado como deslize tolerável, mas como conduta de risco que exige resposta firme.
Porque também não basta punir depois. Prevenção de verdade se faz antes, com blitz frequente, controle eletrônico, presença ostensiva e uma mensagem clara de que o trânsito não pode depender da sorte dos inocentes.
A conclusão é simples: álcool e direção não combinam, nunca combinaram, e o que ainda falta não é entendimento técnico, é parar de tratar esse comportamento como se fosse socialmente negociável.
No volante, beber não é detalhe, não é deslize, não é mal-entendido, é escolha com risco real para quem não tem nada a ver com isso, e escolha assim exige fiscalização dura, contínua e séria.


