Você já se perguntou a razão de fazer algo? O que, de verdade, te move? O que nos faz enfrentar um trabalho chato ou nos motiva a encontrar os amigos, fazer compras, tomar um bom vinho e até passar horas nas redes sociais?
Sinceramente, a lista de coisas que me despertam curiosidade é bem grande, mas todas têm algo em comum: a motivação.
Essa é a nossa palavra-chave de hoje. Você só faz o que faz por conta dela. Sinto dizer, mas uma pessoa disciplinada é apenas alguém “hipermotivado”. Algo particularmente curioso é a aversão atual ao termo “motivação”: nas redes sociais, virou clichê denominar-se “disciplinado” e afirmar que fazer a mesma coisa todos os dias, mesmo quando você não quer, é algo diferente de motivar-se.
Uma teoria sobre esse fenômeno é que essa distinção reforça o comportamento e separa o disciplinado da pessoa apenas empolgada, já que, ao longo da jornada, as tarefas perdem o “sabor” de quando você decidiu começar. No entanto, essa visão não se sustenta, pois motivação não significa empolgação. Pode parecer estranho, mas faz sentido.
Ao analisar o neurotransmissor conhecido, erroneamente, como a “molécula do prazer”, a dopamina, conseguimos enxergar melhor seu modo de ação. Ela é produzida em várias áreas do cérebro, mas se destaca no nosso sistema de recompensa: ao criar a expectativa de um ganho, a liberação desse neurotransmissor vai às alturas.
Imagine o seu salário. Provavelmente você abriu um sorriso ou pensou em comprar uma roupa legal ou ir àquele restaurante incrível. Guarde esse sentimento. Agora, pense na semana anterior ao pagamento: você está exausto, porém continua trabalhando, pensando justamente nas recompensas que virão. Isso é o seu cérebro criando esquemas de reforço e fornecendo motivos para sustentar uma ação cansativa.
Ou seja, a dopamina é responsável pela antecipação da recompensa. É ela quem firma hábitos e vícios. Está ligada também a comportamentos pró-sociais, como a cooperação em grupo. E o mais interessante: ela te faz “querer” mais. Essa molécula faz com que você se habitue a reforços estáveis e busque sempre algo novo, inclusive este é um dos principais mecanismos explorados pelas redes sociais.
Sobre o autor
Hanrry Luís é psicólogo clínico, especialista em transtornos ansiosos e alimentares, com 4 anos de experiência clínica. Atua com base na prática baseada em evidências, integrando conhecimento científico ao raciocínio clínico e à experiência prática.


