Rio Branco, AC, 12 de outubro de 2026 21:27

Pobreza aumenta pela primeira vez desde 2010 e atinge 1,2 bilhão de pessoas, segundo ONU

Mais da metade dos afetados são crianças; no Brasil, índice é de 0,9%, enquanto Moçambique registra 38,8% da população nessa condição

Cerca de 1,2 bilhão de pessoas vivem em pobreza multidimensional no mundo, segundo a atualização de 2026 do índice elaborado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e pela Universidade de Oxford. O levantamento aponta que o número cresceu em 51,5 milhões em relação ao ano anterior, pela primeira vez desde 2010. A avaliação considera privações que vão além da renda, incluindo dificuldades de acesso à saúde, educação, água potável e eletricidade.

Do total de pessoas afetadas, 83% vivem em áreas rurais e mais da metade são crianças. Entre os países de língua portuguesa analisados, Moçambique apresenta o maior percentual, com 38,8% da população em pobreza multidimensional, seguido por Guiné-Bissau (35,9%) e Angola (29,6%). Timor-Leste registra 17,4%, São Tomé e Príncipe, 2,1%, e o Brasil, 0,9%.

Os períodos das pesquisas variam entre os países. Os dados de Moçambique e Angola foram coletados entre 2020 e 2025, enquanto os números de Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe, Timor-Leste e Brasil se baseiam em levantamentos realizados entre 2014 e 2019. O índice reúne dez indicadores relacionados à saúde, à educação e às condições de vida e abrange 108 países em desenvolvimento, que representam 78% da população mundial.

O relatório também identifica países que conseguiram reduzir a pobreza multidimensional, entre eles Egito, Nepal e Tajiquistão. A China reduziu de 9,5% para 4,2% a parcela da população nessa situação entre 2010 e 2014, enquanto Eswatini passou de 38,7% para 8% ao longo de 15 anos. Apesar desses resultados, o Pnud afirma que a meta global de reduzir pela metade a pobreza em todas as suas dimensões até 2030 continua sendo um desafio.

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