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Por trás das cortinas, Edinaldo Muniz e a busca desesperada por atenção antes das eleições de 2026

Por Íam Arábar

O ex-juiz Edinaldo Muniz tem se comportado, no mínimo, de forma inadequada no cenário político estadual. Sua postura recente, sobretudo nas redes sociais, transmite a impressão de alguém em permanente busca por atenção, como se estivesse desesperado para ser visto, notado, reconhecido e, de alguma forma, validado pelo público.

Edinaldo parece fazer de tudo para que as pessoas o enxerguem, conversem com ele ou simplesmente percebam sua presença. O problema é que esse comportamento está muito distante da imagem que se espera de um ex-magistrado. De longe, ele não se comporta como um ex-juiz. Também passa longe da postura de alguém que respeita o regramento mínimo de como funciona uma sociedade civil organizada.

Em um episódio recente, este colunista, que não nutre qualquer apreço pelo atual prefeito de Rio Branco, Sebastião Bocalom, sentiu-se obrigado a reconhecer que Edinaldo Muniz ultrapassou todos os limites do bom senso. Foi de extremo mau gosto a tentativa de constranger o prefeito por meio de uma live, oferecendo-lhe um óleo de peroba, numa clara insinuação de que se trataria de uma pessoa cara de pau.

Naquele momento, o prefeito estava ali como um cidadão de Rio Branco, comercializando um produto que, ao que tudo indica, estava configurado de forma legal para venda. Não cabia a ninguém, muito menos a um ex-juiz, tentar intimidá-lo, desrespeitá-lo ou expô-lo publicamente daquela forma. Isso é tudo, menos comportamento compatível com alguém que já ocupou uma das funções mais respeitadas do Estado.

Mas Edinaldo Muniz parece não reconhecer limites. Sua mais nova peripécia, amplamente divulgada por ele mesmo em uma live, foi seguir um comboio do Gaeco durante uma operação. Para quê? Para qual finalidade? Talvez para atrapalhar uma ação que, possivelmente, levou meses de investigação e planejamento. Talvez para se colocar novamente no centro das atenções. Não há como afirmar suas intenções, mas o simples fato de se aproximar de uma operação em andamento já demonstra completa falta de noção institucional.

Quem este senhor pensa que é? Ele não é jornalista. Não cabe a ele informar, comunicar ou tentar revelar o que acontece ou deixa de acontecer em investigações sigilosas. E mesmo que fosse jornalista, o bom senso exigiria respeito às apurações em curso e aos profissionais que estavam em plena atividade, possivelmente durante a madrugada desta terça-feira, dia 13.

Ao expor agentes em trabalho e tentar obter informações de uma operação sensível, Edinaldo não apenas ultrapassa limites éticos como levanta questionamentos graves. Ele deseja obstruir a atuação das forças policiais? É contra o trabalho do Gaeco? Existe algum motivo oculto para tamanha insistência em se colocar onde claramente não deveria estar?

Fica a pergunta que não quer calar: o Ministério Público não fará nada? Nenhuma providência será tomada diante de comportamentos que beiram o desrespeito institucional e a possível interferência em investigações? Espera-se que o Ministério Público de nossa capital continue sendo atuante, vigilante e firme, como ainda acredito que seja.

O que se vê, infelizmente, é um ex-juiz que parece ter perdido completamente a noção do cargo que um dia ocupou e da responsabilidade que isso carrega, mesmo após deixar a magistratura. Em vez de bom senso, espetáculo. Em vez de prudência, exposição. Em vez de respeito às instituições, um comportamento que causa constrangimento público e institucional.