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Por trás das cortinas, Mailza está no cerco das ratazanas interesseiras

A política tem dessas ironias cruéis que o tempo escancara sem pedir licença. Por trás das cortinas do poder, Mailza sempre esteve ali. Presente, atuante, com cargo, patente e responsabilidades muito claras. Ainda assim, durante anos, foi tratada como se fosse uma figurante. Ignorada por parlamentares, desprezada por secretários, subestimada por lideranças municipais no interior do Acre que fingiam não ver quem ela era e o cargo que ocupava.

Não respeitaram Mailza como vice governadora. Não respeitaram sua posição como secretária de Direitos Humanos do Estado. Não respeitaram sua trajetória como mulher líder, muito menos sua identidade enquanto mulher evangélica em um ambiente político que insiste em usar a fé apenas quando convém. Preferiram o silêncio, o desdém e a conveniência de fingir que ela não existia.

Agora, o cenário mudou. Mailza está prestes a assumir o protagonismo. Está no caminho para se tornar governadora do Acre e, mais do que isso, para disputar uma eleição como o primeiro nome do governo. É nesse exato momento que as cortinas se mexem e o esgoto político começa a transbordar. Surgem as ratazanas.

Este colunista chama de ratazanas aqueles que aparecem apenas quando sentem cheiro de poder. Não porque Mailza seja suja. Muito pelo contrário. O que é sujo é o local de onde essas figuras estão saindo. Vêm dos porões da política, de práticas antigas, de acordos mal explicados e de interesses que nunca tiveram compromisso com o Estado, apenas com a própria sobrevivência no poder.

A aproximação não é por respeito tardio, nem por reconhecimento sincero. É cálculo. É oportunismo. É a tentativa desesperada de usurpar atenção, influência e espaço ao redor de Mailza para garantir, nem que seja por oito meses, algum tipo de permanência no poder. E, se possível, esticar isso por mais quatro anos.

Alguns são parlamentares que enxergam nesse momento uma chance de manter se abastecidos. Não apenas com cargos em comissão, mas com tentativas de acordos que vão muito além do que é republicano, do que é ético e do que é aceitável.

Mailza não mudou. O que mudou foi a conveniência dos que antes a ignoravam. E é justamente aí que mora o risco. Quando o poder se aproxima, ele traz consigo não apenas aliados, mas parasitas. Cabe agora discernir quem se aproxima por convicção e quem se arrasta por interesse.

A história costuma ser implacável com as ratazanas. Resta saber se, desta vez, elas serão mantidas longe do que nunca ajudaram a construir.