Rio Branco, AC, 6 de novembro de 2026 20:38

Projeto prevê atendimento virtual 24 horas para mulheres vítimas de violência em cidades sem delegacia especializada

A Comissão de Defesa dos Direitos da Mulher da Câmara dos Deputados aprovou o Projeto de Lei 1292/26, que prevê a criação de um serviço de atendimento virtual 24 horas para mulheres vítimas de violência em municípios que não contam com Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher (Deam).

A proposta estabelece que o serviço seja oferecido pela Polícia Civil de cada estado ou do Distrito Federal e acrescenta novas medidas à Lei 14.541/23, que regulamenta o funcionamento das delegacias especializadas.

Pelo texto, a plataforma deverá permitir o registro de boletins de ocorrência pela internet, a solicitação de medidas protetivas de urgência e o acesso a orientações sobre os direitos das vítimas e os serviços disponíveis na rede de proteção.

O atendimento deverá ser realizado de forma humanizada, com garantia de proteção dos dados pessoais das mulheres. A equipe também deverá contar com profissionais capacitados, incluindo policiais, assistentes sociais e psicólogos.

O projeto prevê ainda a possibilidade de a União disponibilizar uma plataforma tecnológica padronizada aos estados, por meio de convênios ou termos de cooperação. O sistema deverá permitir a integração com as ferramentas já utilizadas pelas polícias civis estaduais.

A proposta esclarece que o atendimento virtual será complementar e não substituirá a obrigação dos estados e do Distrito Federal de instalar delegacias físicas especializadas nos municípios, conforme a disponibilidade orçamentária.

A relatora do projeto, deputada Célia Xakriabá (Psol-MG), recomendou a aprovação do texto original. Segundo ela, a expansão do acesso à internet permite que boa parte do território nacional tenha infraestrutura para oferecer atendimento remoto.

A parlamentar defendeu o aproveitamento dessa estrutura para ampliar o acesso das mulheres aos mecanismos de proteção.

O projeto tramita em caráter conclusivo e ainda será analisado pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado e de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados.

Após essa etapa, para se tornar lei, a proposta também precisará ser aprovada pelo Senado Federal.

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