Filho de Marcio Bittar tenta ganhar espaço atacando o PT, mas segue conhecido apenas pelo sobrenome do pai
Na política acreana, há quem construa uma trajetória com trabalho, propostas, posicionamentos e participação popular. E há quem tente começar pelo sobrenome. O filho do senador Marcio Bittar parece apostar na segunda alternativa, como se carregar o nome de um parlamentar fosse suficiente para conquistar relevância política.
Até agora, sua principal credencial pública parece ser justamente esta: ser filho de Marcio Bittar. Não se conhece uma trajetória política expressiva, uma realização de destaque ou uma contribuição ao debate público que permita identificá-lo independentemente da figura paterna. É um sobrenome conhecido procurando uma voz própria.
E há uma ironia nisso tudo. Marcio Bittar construiu boa parte de sua identidade política na oposição ao Partido dos Trabalhadores. Seu filho parece ter entendido que bastaria repetir a receita para conquistar algum espaço. O problema é que fazer oposição ao PT não é, por si só, uma proposta política. Muito menos um currículo.
Enquanto representantes de diferentes correntes ideológicas, inclusive da esquerda, conseguem ocupar espaços de discussão e representação, o filho do senador ainda parece procurar um lugar que não dependa da influência do pai.
Mas o episódio envolvendo estudantes da Universidade Federal do Acre (Ufac) torna a situação ainda mais curiosa.
Segundo o relato sobre o ocorrido, o filho do senador teria chamado estudantes da instituição de “vagabundos”. A acusação seria grave por si só, mas ganha contornos particularmente irônicos diante das circunstâncias: enquanto muitos universitários estavam estudando, ele estaria ocupado pregando cartazes.
É uma inversão de valores digna de nota. Os estudantes, que frequentam uma universidade pública, cumprem atividades acadêmicas e buscam formação profissional, seriam os vagabundos. Já quem estava dedicando o próprio tempo a colar cartazes se sentiria autorizado a fiscalizar a produtividade alheia.
Talvez o conceito de trabalho precise ser explicado com um pouco mais de cuidado.
A Ufac é um espaço de produção científica, formação profissional, pesquisa e desenvolvimento regional. Seus estudantes não precisam demonstrar utilidade social a quem pretende ganhar notoriedade política por meio de provocações.
O Acre conhece bem a política dos sobrenomes. Conhece também os discursos inflamados, as rivalidades partidárias e a tentativa permanente de transformar o antipetismo em plataforma eleitoral. O que não deveria aceitar é a ideia de que a filiação de alguém a um senador seja suficiente para conferir importância às suas declarações.
O filho de Marcio Bittar tem todo o direito de participar da política, defender suas convicções e criticar o PT. Mas também precisa compreender que protagonismo não é hereditário, respeito não vem no registro de nascimento e relevância pública não se conquista simplesmente atacando adversários.
No fim das contas, a pergunta permanece: retirado o sobrenome Bittar, o que sobra de sua trajetória política?
Porque, até aqui, parece haver muito esforço para chamar atenção e muito pouco a apresentar como realização própria.
Ser filho de senador é uma condição familiar. Não é profissão, não é feito político e, definitivamente, não é título de autoridade sobre os estudantes da Ufac.
João Paulo não é nada, além do resto genético de Marcio.


