Uma grave crise no sistema de transporte coletivo urbano de Rio Branco acendeu o alerta entre trabalhadores, autoridades e a população. Em nota oficial divulgada nesta semana, o Sindicato dos Trabalhadores em Transporte de Passageiros e Cargas do Estado do Acre denunciou um colapso administrativo e financeiro da empresa Ricco Transportes, responsável por parte da operação na capital acreana.
De acordo com o sindicato, a empresa informou que não possui previsão para o pagamento dos salários referentes ao mês de março de 2026, atingindo diretamente a subsistência dos trabalhadores. Além disso, também não houve o pagamento dos vales-alimentação relativos aos meses de março e abril, agravando ainda mais o cenário de vulnerabilidade.
A entidade classifica a situação como um “estado de calamidade interna”, destacando que a ausência simultânea de salário e benefício alimentar compromete a dignidade dos profissionais e de suas famílias. Para o SINTTPAC, a postura da empresa ao não apresentar solução transfere o risco do negócio aos trabalhadores, o que considera juridicamente inaceitável.
Outro ponto denunciado diz respeito à retenção de valores de empréstimos consignados. Segundo o sindicato, a empresa estaria descontando as parcelas diretamente dos salários, mas deixando de repassar os valores às instituições financeiras. A prática tem gerado prejuízos adicionais aos trabalhadores, como cobrança de juros, multas e até negativação indevida em órgãos de proteção ao crédito.
Diante da gravidade das denúncias, o sindicato informou que adotou medidas formais junto aos órgãos competentes. Entre elas, está o protocolo de uma notícia-crime no Ministério Público Estadual para apuração de possível apropriação indébita, além de uma denúncia ao Ministério Público do Trabalho solicitando providências urgentes, incluindo eventual intervenção na empresa.
O SINTTPAC também cobrou atuação mais rigorosa da RBTrans e da Prefeitura de Rio Branco, pedindo a a intervenção administrativa na concessão do serviço ou até mesmo a encampação do transporte público por interesse coletivo.
A crise já impacta diretamente a operação do sistema. Trabalhadores da empresa anunciaram uma paralisação total da frota para esta quarta-feira, 22 de abril. O sindicato, no entanto, afirma que o movimento é espontâneo e não foi organizado pela entidade, ressaltando que a legislação obriga a manutenção mínima do serviço por se tratar de atividade essencial.
Apesar disso, a entidade manifestou solidariedade à categoria, afirmando que a paralisação é reflexo direto do atraso salarial e da falta de condições básicas para o exercício da função. O sindicato também reforçou que permanece aberto ao diálogo, desde que haja regularização imediata das pendências financeiras.


