Se o goleiro Bruno tivesse sido condenado por matar a mãe dos torcedores, ainda haveria torcida?
Durante o jogo do Vasco contra o Velo Clube, que aconteceu na última quinta-feira, 19, no Arena da Floresta, em alguns momentos em que o Vasco foi pressionado, uma multidão ecoava em uma só voz gritando o nome do goleiro Bruno, condenado pelo assassinato da mãe de seu filho, Eliza Samudio.
Bruno foi condenado a 22 anos e um mês por homicídio, ocultação de cadáver, sequestro e cárcere privado de Eliza. Ele foi para o regime semiaberto em 2018 e está em liberdade condicional desde janeiro de 2023.
É inegável que Bruno é um goleiro extremamente talentoso, mas seria isso o suficiente para esquecermos o assassinato brutal de uma mãe, ainda no puerpério? Um corpo nunca encontrado. Um filho nunca criado. Uma filha nunca velada.
O futebol é o esporte mais amado pelos homens, especialmente no Brasil, país este em que, durante os últimos anos, se afirmou que bandido bom é aquele que não está mais vivo. Mas pera aí, isso se aplica em todos os casos ou apenas aos que incomodam um grupo seleto? Em outros casos, criminosos continuam ídolos?
Bruno continua seguindo sua vida como um ídolo do futebol, enquanto seu filho, que perdeu a mãe porque ela escolheu não abortá-lo, tal qual é mostrado no seriado que conta a história da morte de Eliza, concede entrevista falando de pensão atrasada, o que mostra que nosso país tem falhado das mais diversas formas.
Bruno não merece ser um ídolo. Bruno não merece a profissão que tem. Bruno não merece nada além do esquecimento e, acima de tudo, não merece o carinho e o amor dos fãs, porque, vejam só, se ele tivesse sido condenado pela morte da amada mãe dos que torcem por ele, ainda seria um ídolo? Bruno merece apenas o esquecimento. Uma vida no ostracismo. Uma vida não se paga com outra, mas a justiça deve ser eterna, e Bruno tem que virar uma página de um livro que conta uma triste história. Vivo, mas longe, lembrando todos os dias do que fez.