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Sebastião Bocalom e o sonho de governar um estado onde faltam água, medicamentos e respeito ao povo na capital que ele é prefeito

Íam Arábar

O anúncio da pré-candidatura do prefeito de Rio Branco, Sebastião Bocalom, ao governo do Acre, feito na última segunda-feira, 19, repercutiu em todo o estado e reacendeu debates antigos sobre sua trajetória política e sua gestão à frente da capital acreana. Trata-se de um projeto pessoal de longa data. Bocalom já disputou outras eleições majoritárias e chegou perto de alcançar o comando do Palácio de Rio Branco, objetivo que agora volta a ocupar o centro de sua agenda política.

O movimento, no entanto, ocorre em meio a um cenário de forte desgaste administrativo. Sebastião Bocalom figura entre os prefeitos com pior avaliação popular das últimas gestões municipais. A insatisfação da população é visível em problemas estruturais persistentes, como ruas esburacadas, precariedade da infraestrutura urbana e falhas em serviços básicos, fatores que impactam diretamente o cotidiano dos moradores de Rio Branco.

Outro ponto que pesa contra o prefeito é sua relação conflituosa com a imprensa. Bocalom construiu a imagem de um gestor de difícil diálogo, característica frequentemente atribuída também a integrantes de seu grupo político, especialmente no setor de comunicação. Episódios envolvendo tentativas de obstrução do trabalho jornalístico, incluindo registros de profissionais sendo impedidos de gravar, circulam amplamente e geram críticas sobre o respeito à liberdade de imprensa e à transparência pública.

Além das dificuldades administrativas e institucionais, o entorno político do prefeito também já esteve envolvido em episódios graves. Pessoas associadas à sua gestão foram citadas em denúncias de importunação sexual e até acusações de estupro, fatos que ampliaram o desgaste da administração e levantaram questionamentos sobre critérios políticos e responsabilidade ética.

Mesmo diante desse conjunto de problemas, Sebastião Bocalom aposta que sua trajetória e seu discurso serão suficientes para convencer o eleitorado de que está preparado para governar o estado. A pré-candidatura, porém, nasce cercada de críticas e desafios. O caminho até o governo do Acre exigirá mais do que o resgate de um sonho antigo. Exigirá respostas concretas à população sobre gestão, respeito institucional e capacidade de liderança em um estado que enfrenta demandas urgentes e históricas.