Rio Branco, AC, 21 de maio de 2026 14:28

“Sem a toga, sou apenas mais um corpo preto”: quantos episódios como esse ainda precisarão acontecer?

O relato da desembargadora Adenir Carruesco, do Tribunal Regional do Trabalho da 23ª Região (TRT-23), trouxe novamente ao centro do debate público a permanência do rac*smo estrutural em espaços cotidianos da sociedade brasileira.

A magistrada afirmou ter sido confundida com uma funcionária durante uma ida a um supermercado em Cuiabá, no último domingo (17). Ao relatar o episódio, declarou: “Sem a toga, sou apenas mais um corpo preto que a sociedade insiste em enxergar como serviçal”.

A declaração repercutiu nacionalmente por evidenciar uma realidade frequentemente denunciada por pessoas negras em diferentes contextos sociais e profissionais: a associação automática entre corpos negros e posições subalternizadas, independentemente da formação, cargo ou trajetória ocupada.

O caso ultrapassa o constrangimento individual vivido pela desembargadora. Ele expõe uma estrutura social ainda marcada por percepções raciais historicamente construídas e normalizadas no cotidiano.

A repercussão do episódio também motivou outros relatos semelhantes nas redes sociais, reforçando como situações dessa natureza permanecem recorrentes no país.

Diante de casos como esse, permanece uma reflexão inevitável: quantos episódios ainda precisarão ocorrer para que o rac*smo estrutural deixe de ser tratado como um problema secundário no Brasil?

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