Rio Branco, AC, 1 de maio de 2026 12:58

Setor produtivo contesta campanha do governo sobre fim da escala 6×1 e aponta impacto em pequenos negócios

Representantes do setor produtivo e especialistas em economia reagiram à campanha do governo federal em defesa do fim da escala 6×1, modelo em que o trabalhador atua seis dias e descansa um. Enquanto as peças oficiais sustentam que a mudança pode impulsionar o consumo e beneficiar pequenos empreendimentos, entidades empresariais afirmam que os dados disponíveis indicam cenário oposto, com aumento de custos operacionais e maior pressão sobre micro e pequenas empresas, responsáveis por grande parcela dos empregos formais no país.

Confederações ligadas ao comércio, indústria e associações empresariais argumentam que empresas de menor porte teriam mais dificuldade para adaptar escalas e manter o quadro de funcionários sem elevação de despesas. O professor de direito do trabalho Ricardo Calcini avalia que esse grupo concentra grande parte das vagas com carteira assinada e, por ter menor capacidade financeira, sentiria de forma mais intensa os efeitos da redução da jornada. Já o presidente da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas, José César da Costa, alertou para risco de fechamento de negócios e repasse de custos ao consumidor.

Estimativas citadas por essas entidades apontam que a mão de obra no comércio poderia subir até 12,7% com jornada de 40 horas, chegando a 17,57% em cenários mais amplos de redução. Na indústria, empresas com até nove empregados teriam impacto proporcionalmente maior que grandes companhias. Também há preocupação com setores intensivos em mão de obra, como comércio e serviços, nos quais a necessidade de novas contratações, horas extras e treinamento adicional poderia ampliar custos e incentivar a informalidade.

O governo federal rebate as críticas e afirma que não existe consenso sobre efeitos negativos da proposta. Em nota, sustenta que mudanças trabalhistas históricas também enfrentaram resistência inicial e cita pesquisas segundo as quais 71% da população apoia o fim da escala 6×1. A gestão federal ainda argumenta que a medida pode trazer ganhos sociais, como melhora na saúde mental, fortalecimento da convivência familiar e maior qualidade de vida para os trabalhadores.

Compartilhe

Facebook
Twitter
WhatsApp