Presidente dos Estados Unidos afirmou que considera o pleito brasileiro “muito importante”; declaração ocorre em meio a alertas sobre possível interferência estrangeira
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta-feira (1º) que acompanha “muito de perto” as eleições brasileiras de 2026. A declaração foi dada a jornalistas na saída da Casa Branca, antes de Trump embarcar em uma aeronave com destino ao Texas.
“Estou acompanhando [as eleições] muito de perto. O Brasil é um país muito importante. É um grande país. As pessoas no Brasil são fantásticas. É uma eleição muito importante”, declarou o presidente norte-americano.
Trump, no entanto, não citou nomes de candidatos nem declarou apoio a nenhum dos concorrentes. A manifestação ocorre três dias antes do primeiro turno, marcado para domingo (4).
A declaração acontece em um contexto de tensão entre os governos brasileiro e norte-americano e de alertas sobre possíveis formas de influência estrangeira no processo eleitoral brasileiro.
Em setembro, um relatório da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) apontou risco de influência ou interferência dos Estados Unidos nas eleições de 2026. Segundo o documento, a possibilidade de interferência externa foi classificada com “nível de criticidade”. O relatório também relacionou o cenário à política do segundo governo Trump para a América Latina.
A preocupação com possíveis interferências também foi manifestada por entidades da comunidade científica. Em setembro, a Academia Brasileira de Ciências (ABC) e a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) defenderam a autonomia do eleitor brasileiro e alertaram para eventuais pressões políticas, econômicas ou relacionadas ao ambiente digital.
Às vésperas da votação, o Exército brasileiro realizou, entre 21 e 25 de setembro, a oitava edição do exercício Guardião Cibernético. A atividade reuniu cerca de 1,3 mil participantes e simulou cenários de ataques digitais que poderiam afetar serviços essenciais. A ação ocorreu em meio aos alertas sobre possíveis interferências estrangeiras nas eleições.
Também em setembro, 31 parlamentares democratas dos Estados Unidos enviaram uma carta ao secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, questionando ações do governo Trump em relação ao Brasil e pedindo que os Estados Unidos respeitem o processo eleitoral brasileiro e o resultado das urnas. As acusações feitas pelos parlamentares são posicionamentos deles e não equivalem, por si só, a uma conclusão oficial sobre interferência eleitoral.
Para o primeiro turno, marcado para 4 de outubro, mais de 140 observadores de sete organizações internacionais foram convidados a acompanhar a preparação, a votação e a apuração das eleições brasileiras. Entre as instituições estão a Organização dos Estados Americanos (OEA), o Parlamento do Mercosul, a União Europeia e a Liga dos Estados Árabes.


