Rio Branco, AC, 15 de outubro de 2026 15:45

Governo Trump mobiliza 600 militares para atuação  em três países latino-americanos

O governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está ampliando a presença militar na América Latina com o envio de cerca de 600 soldados para exercícios no Panamá, na Colômbia e em Honduras. Segundo informações do jornal The New York Times, os primeiros militares já começaram a chegar a um centro de treinamento panamenho. A movimentação faz parte da estratégia de Washington para intensificar as operações contra organizações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas. A iniciativa também pode abrir caminho para uma presença militar norte-americana mais duradoura na região. Além dos treinamentos com forças locais, parte dos soldados poderá apoiar operações especiais dos Estados Unidos que prestam assessoria a exércitos latino-americanos. A estratégia inclui ainda o deslocamento de drones MQ-9 Reaper para a Colômbia e o Equador, além da possibilidade de ampliar ataques contra embarcações suspeitas de transportar drogas, inclusive com ações direcionadas a alvos em terra. De acordo com o New York Times, o Comando Sul dos Estados Unidos realizou cerca de 71 ataques contra embarcações no Caribe e no Pacífico Oriental ao longo de aproximadamente um ano. As ações deixaram pelo menos 239 mortos. O governo norte-americano afirma que as vítimas estavam envolvidas com o tráfico de drogas, mas, segundo a reportagem, não apresentou provas públicas que sustentem as acusações. A ofensiva também está relacionada ao objetivo declarado por Trump de recuperar a influência dos Estados Unidos no continente americano. A estratégia de segurança nacional divulgada em dezembro de 2025 prevê a retomada de princípios da Doutrina Monroe, que historicamente defende a predominância da influência norte-americana no hemisfério ocidental. A ampliação da presença militar reacende preocupações sobre a soberania dos países latino-americanos e o histórico de intervenções de Washington na região. Especialistas também questionam a eficácia de matar integrantes de organizações criminosas como estratégia para reduzir o tráfico de drogas. Entidades de direitos humanos, por sua vez, alertam para o risco de mortes de civis caso as operações avancem sobre alvos terrestres. O Pentágono não comentou o novo deslocamento de tropas, conforme a reportagem.

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