Uninorte tem a pior avaliação do curso de medicina no Acre, mesmo tendo a maior mensalidade, aponta ENAMED
O resultado do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed, escancarou uma crise profunda na formação de médicos no Brasil. Dos cerca de 39 mil concluintes avaliados em todo o país, aproximadamente 13 mil não atingiram o nível mínimo de conhecimento esperado para o exercício da profissão, o que representa um terço dos novos médicos. O dado acende um alerta direto sobre a segurança da população que depende do sistema de saúde.
Na prática, os números indicam um risco real aos pacientes. Estatisticamente, uma pessoa atendida em um pronto-socorro por um médico recém-formado tem 33 por cento de chance de estar diante de um profissional com menos domínio sobre a doença apresentada do que um leigo com experiência de vida. A constatação expõe fragilidades graves na formação acadêmica e levanta questionamentos sobre a expansão desordenada dos cursos de medicina no país.
A situação se torna ainda mais preocupante quando se observa o desempenho das instituições. Entre as faculdades públicas municipais, nove em cada dez tiveram avaliação considerada insatisfatória. Já nas instituições privadas com fins lucrativos, seis em cada dez não alcançaram o patamar mínimo exigido, reforçando críticas sobre a precarização do ensino médico e a falta de fiscalização efetiva.
No Acre, o cenário também é alarmante. O Centro Universitário Uninorte obteve a pior nota de avaliação do curso de medicina no estado, ficando com nota 1 no Enamed. O resultado coloca a instituição no nível mais baixo da escala e acende um sinal vermelho sobre a qualidade da formação oferecida aos futuros médicos, além de gerar preocupação quanto ao impacto direto desse desempenho na saúde da população acreana.
Apesar da divulgação de que cem faculdades serão punidas, as medidas anunciadas pelo governo são vistas como insuficientes para enfrentar o problema. Poucas instituições deixarão de receber novos alunos e a maioria seguirá funcionando com pequenas reduções ou sem ampliação de vagas. Diante disso, cresce a pressão para que o Congresso Nacional aprove o Exame Nacional de Proficiência Médica, como forma de garantir que apenas profissionais devidamente qualificados possam exercer a medicina, protegendo a sociedade e preservando a credibilidade da profissão.