O vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou que o Irã precisa reduzir de forma significativa sua capacidade de enriquecimento nuclear para que os dois países cheguem a um acordo de encerramento da guerra, que já dura sete meses. A declaração foi feita em entrevista à Reuters, concedida na segunda-feira (5), no Alasca, e publicada nesta terça-feira (6).
Segundo Vance, Washington permanece aberto às negociações, mas exige medidas concretas do governo iraniano. Ele afirmou que promessas de redução futura do programa nuclear não seriam suficientes e questionou a necessidade de o país manter combustível enriquecido a 60% caso não pretenda desenvolver armas nucleares.
O vice-presidente tem participado das articulações para encerrar o conflito e intermediou um acordo provisório de paz em junho, que acabou fracassando pouco depois. A guerra tem provocado instabilidade nos mercados globais de energia e aumentado o desgaste político do presidente Donald Trump e de outros integrantes do Partido Republicano.
Nas últimas semanas, Estados Unidos e Irã trocaram propostas para interromper os combates e reabrir o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas internacionais de transporte de petróleo e gás. Trump rejeitou a oferta mais recente de Teerã e advertiu que as operações militares poderão ser intensificadas após as eleições legislativas americanas.
Vance também afirmou que os Estados Unidos têm dúvidas sobre quem detém o poder de decisão nas negociações pelo lado iraniano. Segundo ele, as conversas envolvem o presidente Masoud Pezeshkian e o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araqchi, mas Washington não sabe ao certo qual é a autoridade de ambos dentro da estrutura política do país.
A avaliação ocorre após a morte do líder supremo iraniano, aiatolá Ali Khamenei, em ataques conjuntos dos Estados Unidos e de Israel no início da guerra, conforme o relato apresentado na entrevista.
O governo iraniano contestou as declarações sobre a falta de clareza em seu processo decisório. No domingo (4), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baghaei, afirmou que as autoridades americanas conhecem seus interlocutores e sabem como funciona a tomada de decisões em Teerã.
Para Baghaei, as dificuldades nas negociações decorrem das posições contraditórias e das mensagens divergentes transmitidas pelos representantes dos Estados Unidos.


