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“Do jeito que você imaginou e melhor do que esperava”: Andressa Urach, conteúdo adulto com o próprio filho e a busca por visibilidade a qualquer custo

As redes sociais transformaram visibilidade em capital. Curtidas, comentários e compartilhamentos deixaram de ser apenas métricas digitais para se tornarem instrumentos de poder, influência e lucro. Nesse ambiente, a pergunta que se impõe é direta e desconfortável: até onde vale ir para se manter em destaque? E qual é o preço do engajamento?

A recente polêmica envolvendo a influenciadora Andressa Urach escancara esse debate. Ela começou 2026 no centro de uma controvérsia de grandes proporções ao anunciar, na madrugada do dia 2 de janeiro, que havia atendido a pedidos de fãs e realizado uma gravação ao lado do próprio filho, Arthur Urach. A declaração, feita nas redes sociais, se espalhou rapidamente e provocou forte reação do público.

A frase usada por Andressa “do jeito que você imaginou e melhor do que esperava” ampliou ainda mais a indignação, gerando críticas, questionamentos e especulações. Conhecida por atitudes que frequentemente dividem opiniões, a influenciadora voltou ao centro de um debate delicado: os limites da exposição familiar, da ética e da responsabilidade no ambiente digital. Em tom provocativo, ela própria reforçou a narrativa do choque ao afirmar que “a próxima notícia é sempre pior”.

O episódio, que já acumula milhares de comentários e compartilhamentos, evidencia a lógica perversa das redes sociais: quanto maior o escândalo, maior o alcance. O conteúdo deixa de ser relevante pelo que informa ou constrói e passa a valer pelo impacto que causa. Nesse contexto, a apelação seja moral, emocional ou sexual também se consolida como uma estratégia para atrair atenção e gerar lucro, especialmente em plataformas de conteúdo adulto, onde a monetização está diretamente ligada ao nível de exposição e provocação.

Esse modelo de negócio cria um incentivo perigoso: quanto mais se ultrapassam limites, maiores podem ser os ganhos financeiros. O bom senso vira obstáculo, a ética se torna secundária e o choque passa a ser tratado como investimento. Relações pessoais, vínculos familiares e até a própria dignidade entram na lógica do mercado.

Mas esse fenômeno não é sustentado apenas por quem produz. Ele se alimenta também do comportamento do público. Cada clique, mesmo indignado, impulsiona o algoritmo. Cada compartilhamento crítico mantém o assunto em evidência. Assim, a responsabilidade é coletiva. A sociedade também precisa refletir sobre o tipo de conteúdo que consome, valida e recompensa.

Quando tudo vira estratégia para engajar e lucrar, o ser humano corre o risco de virar produto. O preço do engajamento, nesses casos, pode ser alto demais: desgaste emocional, normalização do absurdo, perda de credibilidade e erosão de valores fundamentais.

No fim, permanece a pergunta que deveria orientar não só influenciadores, mas todos nós: vale tudo por visibilidade e dinheiro? Se a resposta continuar sendo “sim”, talvez o maior prejuízo não seja individual, mas social.