Se a população já é a mais prejudicada, a quem realmente interessa a crise no transporte público de Rio Branco?
Por Ana Paula Melo
Assina-se contrato, ônibus quebra, a população reclama, vereadores reivindicam e, no fim, tudo se repete. O ciclo parece interminável. Diante disso, surge uma pergunta inevitável: a quem realmente interessa a manutenção desse problema no transporte público de Rio Branco?
Diariamente, usuários enfrentam ônibus quebrados, superlotação e atrasos. A insatisfação é generalizada, mas a dúvida permanece: por que a empresa responsável não é substituída? Por que não se abre uma nova licitação para que outras empresas concorram e apresentem alternativas ao serviço atual?
A atual operadora do transporte coletivo da capital, a RICCO Transportes, já teve pelo menos sete renovações de contrato com a Prefeitura de Rio Branco. Ao longo desse período, não faltaram denúncias: vídeos nas redes sociais mostrando ônibus em condições precárias, paralisações de motoristas por atraso de salários e constantes reclamações da população.
Ainda assim, a situação parece não avançar para uma solução definitiva.
Nesse contexto, a recente exoneração do ex-superintendente da Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans), Clendes Vilas Boas, levantou ainda mais questionamentos. A saída teria ocorrido, segundo bastidores, após resistência à renovação contratual com a empresa.
Como se não bastasse, a própria RICCO solicitou uma audiência com a Câmara de Vereadores para discutir o transporte público. Os parlamentares aceitaram o pedido, mas, após a renovação do contrato com a prefeitura, a empresa voltou atrás e decidiu não comparecer à reunião.
No meio de disputas políticas, decisões administrativas e recuos inesperados, quem paga a conta é sempre o mesmo: o trabalhador. É ele quem depende do ônibus todos os dias para chegar ao trabalho, à escola ou a compromissos importantes. É ele quem enfrenta a incerteza diária de saber se conseguirá, ao menos, chegar ao destino com um mínimo de dignidade.
Diante de tantos episódios, a pergunta inicial continua ecoando: a quem realmente interessa que o transporte público de Rio Branco permaneça preso a esse ciclo de problemas, renovações e promessas não cumpridas?