Rio Branco, AC, 5 de junho de 2026 18:34

Na Resex Cazumbá-Iracema, ciência comunitária e artesanato transformam floresta em referência de sustentabilidade 

Foi no artesanato que a comunidade da reserva extrativista Cazumbá-Iracema, no interior do Acre, encontrou não apenas uma forma de renda, mas também um elo de sustentabilidade e identidade coletiva.Todo o processo é artesanal, que envolve coleta do látex, preparo do leite, mistura com o pó da casca e moldagem manual até chegar ao formato dos animais.

Organizados em torno da produção de látex e farinha de mandioca, os moradores transformam o que a floresta oferece em produtos que carregam história, resistência e futuro.

O látex, extraído das seringueiras, conhecidas como árvores sagradas, é moldado em peças artesanais, marcadas pelo cuidado manual e pela memória dos antigos seringueiros.

Criada em 2002 sob esse conceito, a Reserva Extrativista (Resex) Cazumbá-Iracema, situada entre os municípios acreanos de Sena Madureira e Manoel Urbano, abrange mais de 754 mil hectares de floresta ombrófila (ou floresta pluvial) — um tipo de vegetação tropical dependente de altos índices de chuva e ausência de estação seca.

Ao longo de sua trajetória, a unidade de conservação (UC) tem consolidado uma forma singular e transformadora de educação ambiental e sustentabilidade.

Ações articuladas entre o governo federal, por meio do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e o governo do Acre têm garantido iniciativas que promovem cidadania, fortalecem a participação comunitária e criam condições para que o desenvolvimento avance sem comprometer o meio ambiente e o artesanato é uma das atividades que garantem que isso ocorram.Jilberto diz que o artesanato o conscientizou sobre desmatamento. Foto: Raylanderson Frota

Identidade da reserva

Um desses atores é o artesão Jilberto Maia, morador da Reserva Extrativista Cazumbá-Iracema, que iniciou seu trabalho com o látex em 2003, após participar de um curso de capacitação oferecido pelo Sebrae. Ele explicou que a primeira etapa do curso ocorreu em 2002, mas não pôde participar. “Fiquei curioso. Quando veio a segunda etapa, em 2003, aí sim eu participei”, lembrou.

A partir daí, o artesão não parou mais. “Em setembro daquele ano, já fui para uma feira em Rio Branco. Isso me motivou muito e, de lá pra cá, não parei mais”, afirmou.

Todo o processo é artesanal, que envolve coleta do látex, preparo do leite, mistura com o pó da casca e moldagem manual até chegar ao formato dos animais. O trabalho virou identidade da comunidade.

“A peça mais procurada é a onça-pintada. Apesar de ser a mais difícil de fazer, é a preferida”, disse. Cada onça leva pelo menos 15 dias para secar, antes de passar por lavagem, acabamento, defumação e pintura, etapa que considera a mais complexa.

Assessoria Secom

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