Rio Branco, AC, 13 de setembro de 2026 13:12

Ministério da Saúde suspende temporariamente vacinação contra dengue com imunizante do Butantan após investigação de eventos adversos

O Ministério da Saúde anunciou nesta segunda-feira (8) a suspensão temporária da vacinação contra a dengue com o imunizante desenvolvido pelo Instituto Butantan. A medida foi adotada de forma preventiva após o registro de 42 casos de reações adversas mais severas entre os mais de 500 mil vacinados em todo o país.

Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, a decisão não significa que a vacina seja a causa dos casos registrados, mas visa permitir uma investigação mais aprofundada conduzida pelo Ministério da Saúde, pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pelo próprio Instituto Butantan.

“Essa descontinuidade tem um objetivo que é a ação de precaução, para que Ministério da Saúde, Anvisa [Agência Nacional de Vigilância Sanitária] e Butantan aprofundem a investigação nos 42 casos, que são episódios de reação adversas da vacina, para buscar fatores de risco nessas pessoas, fazer uma espécie de estudo de caso-controle”, disse em coletiva de imprensa.

Dos mais de 500 mil imunizados, 3.703 pessoas apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue, o equivalente a 0,7% dos vacinados. Entre esses casos, 42 evoluíram com sinais de alerta, como dor abdominal intensa, vômitos persistentes e sangramentos, representando 0,008% do total de pessoas vacinadas.

Três pacientes desenvolveram quadros graves e precisaram ser hospitalizados. Uma mulher de 39 anos apresentou sintomas severos seis dias após a vacinação, necessitou de internação em Unidade de Terapia Intensiva (UTI), mas recebeu alta posteriormente. Já uma mulher de 48 anos e um homem de 58 anos evoluíram para óbito após apresentarem complicações compatíveis com dengue grave.

As ocorrências foram analisadas pelo Comitê Interinstitucional de Farmacovigilância de Vacinas e outros Imunobiológicos (Cifavi) e pela Câmara Técnica de Assessoramento em Imunizações (Ctai), que recomendaram a suspensão temporária da estratégia de vacinação com o imunizante do Butantan.

O Ministério da Saúde ressaltou que a medida não afeta a vacina Qdenga, produzida pelo laboratório Takeda e aplicada normalmente pelo Sistema Único de Saúde (SUS). A pasta também reforçou que a suspensão não invalida a eficácia da vacina do Butantan e que as pessoas já imunizadas continuam protegidas contra a doença.

A vacina foi incorporada ao SUS em janeiro deste ano e vinha sendo aplicada em municípios-piloto como Botucatu (SP), Maranguape (CE) e Nova Lima (MG), além de ações específicas na região de Araguaína (TO). O público-alvo incluía pessoas entre 15 e 59 anos e, desde fevereiro, profissionais da atenção primária à saúde.

Durante a investigação, serão avaliados fatores como histórico clínico dos pacientes, doenças preexistentes, possíveis fatores de risco individuais, causas alternativas para os sintomas, eventuais desvios de qualidade do imunizante e possíveis erros de imunização.

O ministro Alexandre Padilha informou ainda que todas as pessoas que receberam a vacina do Butantan nos últimos 21 dias passarão por acompanhamento especial para monitoramento de possíveis reações adversas.

A orientação do Ministério da Saúde é que os vacinados procurem atendimento médico imediato caso apresentem sintomas como febre, dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes, tontura, sangramentos, sonolência excessiva, irritabilidade, sinais de desidratação ou qualquer piora do estado geral de saúde.

Apesar da suspensão temporária, o governo federal reafirmou sua confiança na capacidade técnica do Instituto Butantan e destacou que a farmacovigilância é uma etapa essencial para garantir a segurança dos imunizantes oferecidos à população.

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