A Polícia Militar de São Paulo oficializou a transferência para a reserva do tenente-coronel Geraldo Leite Rosa Neto, preso preventivamente sob acusação de feminicídio contra a soldado Gisele Alves Santana e de fraude processual. Na estrutura militar, a medida equivale à aposentadoria. O oficial está detido desde o dia 18 de março.
Embora a transferência já tivesse sido anunciada anteriormente por meio de uma portaria, o ato que efetivou a decisão foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo nesta terça-feira (9). O despacho foi assinado pelo diretor de Inatividade e Pensão Militar, coronel Antonio Thomazelli Júnior.
Com a publicação, Geraldo Leite Rosa Neto passa oficialmente para a reserva da corporação. A decisão gerou reação da defesa da família da soldado Gisele. Em vídeo divulgado nas redes sociais, o advogado Miguel José da Silva Junior afirmou ter ficado surpreso com a rapidez do processo de aposentadoria do oficial.
A soldado Gisele Alves Santana era casada com o tenente-coronel e foi encontrada morta em 18 de fevereiro, com um tiro na cabeça, no apartamento onde o casal vivia, na capital paulista. Na ocasião, o oficial acionou o socorro e informou às autoridades que a esposa teria cometido suicídio. Posteriormente, o caso passou a ser tratado como morte suspeita.
Investigações e laudos do Instituto Médico Legal (IML) apontaram a existência de marcas de agressão incompatíveis com a hipótese de suicídio. Desde o início das apurações, familiares da vítima contestaram a versão apresentada pelo tenente-coronel.
Em nota, a Polícia Militar informou que a transferência para a reserva ocorreu em conformidade com a legislação vigente e ressaltou que a medida não impede eventual responsabilização penal ou disciplinar do oficial.


